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'Cuba não se rende': Díaz-Canel denuncia a imposição de uma 'narrativa inversa' sobre a ilha

O presidente cubano classificou os esforços dos Estados Unidos para conduzir a ilha a uma crise como "uma punição coletiva que busca dobrar e colocar de joelhos toda uma nação".
'Cuba não se rende': Díaz-Canel denuncia a imposição de uma 'narrativa inversa' sobre a ilhaNicolas Economou/NurPhoto/Gettyimages.ru

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, denunciou na sexta-feira (5) a imposição de uma "narrativa inversa" para apresentar o país caribenho como um "Estado falido", culpado por suas próprias deficiências.

"A maior crueldade do bloqueio é sua permanência prolongada ao longo do tempo, e a maior ofensa a Cuba, que o sofre, e ao mundo, que o rejeita, é a tentativa cínica de impor uma narrativa inversa, a do Estado falido como culpado", declarou o mandatário durante discurso na cerimônia de comemoração dos 65 anos de criação do Ministério do Interior do país.

Afirmou também que a "asfixia econômica" provocada pelos bloqueios, assim como os "falsos relatos", têm o objetivo de inverter "a causa dos problemas para invisibilizar os verdadeiros culpados". Segundo ele, Cuba é, na realidade, um "Estado agredido e que se nega a se render".

"Não fechamos os olhos para nossas próprias insuficiências, mas nunca poderá funcionar normalmente um Estado ao qual se nega ou dificulta a possibilidade de importar alimentos, medicamentos, combustíveis e peças de reposição, ao bloquear suas finanças internacionais e impedir seu acesso livre a créditos comerciais", afirmou.

Além disso, Díaz-Canel classificou as ações de Washington como "uma punição coletiva que busca dobrar e colocar de joelhos toda uma nação que, apesar dos momentos difíceis que vive, não renuncia à sua independência nem cede às pretensões de transformar Cuba em um Estado tutelado por eles".

"Essa é a verdade incômoda. Cuba não se rende. Cuba insiste e resiste", resumiu.

Ameaça a Cuba a partir dos Estados Unidos

  • Em 29 de janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que declara "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representaria para a segurança do país norte-americano e da região.
  • O texto acusa, sem apresentar provas, o governo cubano de se alinhar a "numerosos países hostis", abrigar "grupos terroristas transnacionais" e supostamente permitir a instalação na ilha de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.
  • Com base nessas alegações, foi anunciada a imposição de tarifas a países que vendam petróleo à nação caribenha. A medida se soma a ameaças de represálias contra aqueles que atuarem em desacordo com a ordem executiva da Casa Branca.
  • A decisão ocorre em meio à escalada das tensões entre Washington e Havana. Recentemente, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, informou que o governo planejava impor novas sanções contra Cuba. Em 18 de maio, a medida foi concretizada com sanções contra integrantes do gabinete de Díaz-Canel.