
Aliado de Flávio diz que mulheres votam mal e sugere que Michelle é norteada por ideais comunistas

O jornalista Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, comentou a "lavagem de roupa suja" envolvendo o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. As declarações foram feitas durante seu programa, na quinta-feira (29).
Inicialmente, Figueiredo afirmou que evita fazer críticas diretas a Michelle por causa de sua amizade com o ex-presidente Jair Bolsonaro. "Existe uma coisa do código de ética dos homens que impede que a gente fique dando opinião e falando sobre a esposa de um amigo", afirmou.
"Você não sabe nada"
Na sequência, porém, o jornalista questionou a falta de posicionamentos públicos da ex-primeira-dama e colocou em dúvida sua preparação para disputar cargos como a Presidência da República.

"O que você sabe sobre a Michelle Bolsonaro? Você a admira pelo quê? Por que você acha que ela estaria preparada para ser presidente? Você não sabe nada sobre o que a Michelle pensa, sobre basicamente nenhum assunto", declarou.
Figueiredo também afirmou que seria precipitado reservar a Michelle um espaço na chapa presidencial, ainda que na disputa pela vice-presidência.
"Chegou, entrou no ônibus agora, já quer sentar na janela? Vamos com calma", disse. Em seguida, classificou como "imprudente" oferecer "uma posição tão importante" quanto uma vaga na chapa presidencial a uma pessoa que, segundo ele, ainda é "desconhecida" politicamente.
"Isso é comunismo"
Nessa linha, Figueiredo lembra que Michelle se vagloriou por ter aumentado ''em 45% o número de mulheres eleitas no Partido Liberal (PL)'' e levanta dúvidas sobre os ideais da ex-primeira dama.
"O que isso significa? Ser mulher te faz uma boa política, naturalmente? Você, por ser mulher, há um mérito em si? (...) Você faz um esforço gigantesco para incluir artificialmente mulheres na disputa eleitoral em cargos que poderiam estar sendo exercidos e candidaturas que poderiam estar sendo exercidas por homens competentes, por travestis mais competentes, o que quer que seja. Isso é comunismo, p*rra. Isso não é democracia", afirmou, argumentando que quem defende pautas como essa "está na direção errada".
"Podem arrancar os pentelhos"
Em outro trecho do programa, Figueiredo afirmou que as mulheres tendem a votar mal. A declaração foi feita ao comentar que candidatos identificados com a direita, como Flávio e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, costumam registrar desempenho inferior junto ao eleitorado feminino.
"Mulher vota estatisticamente muito mal. Principalmente mulheres solteiras. Mulheres casadas, em geral, tendem a acompanhar o voto do marido. Mulheres solteiras, não. (...) Podem arrancar os pentelhos das calcinhas, fazer o que quiser, principalmente as feministas, que têm mais pentelhos, mas eu quero dizer a vocês: isso é estatística", afirmou, antecipando críticas.
Neto de João Baptista Figueiredo, último presidente do regime militar brasileiro, o jornalista Paulo Figueiredo vive nos Estados Unidos, onde atua como um dos principais comunicadores do movimento conservador brasileiro.
Em maio, ele participou do encontro de Flávio e Eduardo Bolsonaro com autoridades do alto escalão do governo dos Estados Unidos, entre elas o secretário de Estado, Marco Rubio, e o presidente Donald Trump.

