China insta EUA a encerrarem bloqueio e sanções contra Cuba

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que as medidas de Washington afetam a população cubana e geram preocupação internacional.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, instou os Estados Unidos a encerrarem o bloqueio e as sanções contra Cuba. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa na segunda-feira (6).

Mao condenou a política de Washington em relação à ilha e afirmou que as medidas representam "coerção e pressão" contra Cuba.

"Os mais de 60 anos de bloqueio total e sanções ilegais impostas pelos EUA causaram profundo sofrimento ao povo cubano. Recentemente, os EUA intensificaram novamente o bloqueio e as sanções, o que afetou gravemente os meios de subsistência básicos do povo cubano e gerou preocupação na comunidade internacional", disse.

A porta-voz respondeu a uma pergunta sobre o pedido do presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, para que a Assembleia Geral da ONU realize uma sessão especial sobre o embargo. O mandatário cubano classificou a medida como "insustentável" e equivalente a um "genocídio".

"A China, como sempre, opõe-se a sanções unilaterais ilegais que não têm fundamento no direito internacional. Exortamos os EUA a porem fim imediatamente ao bloqueio, à coerção e à pressão contra Cuba, e a pararem de violar o direito do povo cubano à sobrevivência e ao desenvolvimento", acrescentou.

Mao também afirmou que a China apoia Cuba na defesa de sua soberania nacional e na resistência à interferência estrangeira.

"Estamos dispostos a cooperar com o resto do mundo para defender a justiça e a equidade internacionais", disse.

Cerco e ameaças de Trump

Washington mantém um bloqueio econômico e comercial contra Cuba há mais de seis décadas. Desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, assumiu seu segundo mandato, em janeiro de 2025, o país intensificou sua política de cerco e asfixia total contra a ilha.

Essa política extraterritorial dos EUA tem sido acompanhada de sérias ameaças. O próprio presidente americano declarou que estaria disposto a recorrer à força, se necessário, para derrubar o governo cubano.

Em consonância com a denúncia das autoridades cubanas, o governo Trump, que mantém um destacamento militar no Caribe com tropas do Comando Sul dos EUA, admitiu reiteradas vezes que o objetivo de sua política contra Cuba é impedir qualquer tipo de receita econômica para Havana. 

Dentre essas ações, está o bloqueio no fornecimento de petróleo, essencial para atender às necessidades energéticas da maior ilha das Antilhas.

A situação afeta gravemente a economia do país caribenho, que nos últimos meses sofreu o impacto de um bloqueio multidimensional reforçado por numerosas medidas coercitivas impostas pela Casa Branca, colocando em risco serviços essenciais como energia, eletricidade, saúde, educação, transporte, alimentação e turismo.