
Interesse dos EUA em minerais críticos pode abrir caminho para negociação tarifária com o Brasil

Um negociador com mais de quatro décadas de experiência em comércio internacional avaliou que o principal objetivo de Washington é garantir acesso a terras-raras e minerais críticos brasileiros. A análise foi divulgada pelo jornal O Globo nesta sexta-feira (10).

Em conversa com o blog de Miriam Leitão, sob condição de anonimato, o negociador avaliou que um acordo entre os dois países ainda é possível e pode trazer benefícios para ambos. Segundo a fonte, que já se encontrou pessoalmente com Donald Trump para tratativas, o comércio entre Brasil e Estados Unidos não é o fator central das discussões envolvendo a aplicação de tarifas com base na Seção 301 da legislação americana.
Para o negociador, o foco de Washington está no acesso a minerais considerados estratégicos, enquanto o Brasil poderia se beneficiar da tecnologia e dos investimentos norte-americanos para desenvolver essa cadeia produtiva.
Pragmatismo nas negociações
Na avaliação do especialista, o governo brasileiro errou ao adotar um discurso centrado na soberania sobre terras-raras e minerais críticos, quando poderia ter enfatizado oportunidades de cooperação econômica entre os dois países.
Apesar disso, ele acredita que o ambiente político, marcado pelo período pré-eleitoral, reduz as chances de uma mudança de estratégia no curto prazo.
O negociador também criticou a postura do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, que classificou como "entreguista". Segundo ele, esse tipo de posicionamento não é bem recebido pelo governo dos Estados Unidos.
"Essa polarização não é boa. O pragmatismo sofre com isso. Se olharmos para os países que conseguiram se desenvolver, como a China, veremos que o pragmatismo foi determinante", afirmou.

