Notícias

Ex-militante da ALN destaca influência de Cuba e de Che na resistência brasileira

Manoel Cyrillo, que participou da captura do embaixador dos EUA Charles Burke Elbrick em 1969, relembra a ditadura, justifica a luta armada e afirma que a Revolução Cubana foi decisiva para a esquerda brasileira.
Ex-militante da ALN destaca influência de Cuba e de Che na resistência brasileiraRT

O ex-militante da Ação Libertadora Nacional (ALN) Manoel Cyrillo, que participou da captura do embaixador dos Estados Unidos Charles Burke Elbrick, em 1969, afirmou que a resistência armada à ditadura militar (1964-1985) surgiu em um contexto em que "o ambiente era terrível" e "você não tinha direito, não podia fazer nada". Segundo ele, a repressão levou jovens a aderirem à luta clandestina.

Na entrevista à jornalista Milena Portella, correspondente da RT no Brasil, Cyrillo disse que a ALN acreditava na formação de um "exército revolucionário" por meio de pequenos grupos guerrilheiros urbanos e rurais.

Ele também justificou ações pontuais e estratégicas, como roubos a bancos e veículos, afirmando que eram realizadas para garantir "independência política" ao movimento. "Armas a gente tem aqui, todo quartel tem arma. Dinheiro, todo banco tem dinheiro", declarou.

Influência de Cuba

O ex-militante também destacou a influência da Revolução Cubana sobre sua geração. Ele recordou que Cuba oferecia treinamento guerrilheiro aos integrantes da ALN e mantinha um vínculo "muito estreito" com a esquerda brasileira.

"Cuba nos ajudava muito", afirmou, acrescentando que Che Guevara, Fidel Castro e a revolução cubana eram vistos como referências políticas.

Ao comentar a situação atual da ilha, Cyrillo criticou o embargo dos Estados Unidos e elogiou a resistência do governo cubano. "Os caras estão lá resistindo com dificuldades fantásticas. Mas estão lá existindo. Eu acho fantástico", disse, afirmando que pretende contribuir financeiramente com Cuba em uma viagem ao país como forma de solidariedade.

« ENTENDA O QUE OCORREU NO BRASIL DURANTE A DITADURA MILITAR EM NOSSO ARTIGO »

  • A Ação Libertadora Nacional (ALN) foi uma organização de esquerda fundada por Carlos Marighella em 1967, que defendia a luta armada contra a ditadura militar instalada no Brasil em 1964. Sua ação mais conhecida ocorreu em setembro de 1969, quando militantes da ALN e do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) capturaram o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick. Em troca da libertação do diplomata, exigiram a soltura de 15 presos políticos e a leitura, em cadeia nacional de rádio e televisão, de um manifesto contra o regime militar, rompendo temporariamente a censura imposta pela ditadura.