O Departamento de Estado dos Estados Unidos declarou que acompanha o processo eleitoral brasileiro e afirmou ter interesse na preservação das regras democráticas. A posição consta de uma manifestação exclusiva enviada ao portal Poder360 nesta quinta-feira (23).
"Em termos gerais, os Estados Unidos têm um interesse histórico e global na liberdade de expressão e na integridade dos processos democráticos em todo o mundo, inclusive no Brasil", informou o órgão responsável pela política externa norte-americana.
A resposta ocorreu após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mencionar um possível apoio do secretário de Estado, Marco Rubio, à candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Na segunda-feira (20), Lula convidou representantes de outros países a acompanhar a votação no Brasil.
"Eu estou convidando quem quiser vir do mundo para ver as eleições aqui no Brasil. Quem quiser, pode vir acompanhar. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, que deve apoiar o meu adversário, que venha e monte um comitê. A gente vai derrotar todos em nome da defesa da democracia nesse país", disse Lula, sem mencionar o nome do adversário.
Relação entre Brasília e Washington
A manifestação ocorre em meio a divergências entre os governos brasileiro e norte-americano. Um dos pontos de atrito foi a classificação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como organizações terroristas.
No início de julho, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que a medida poderia abrir caminho para o uso da força militar dos Estados Unidos no Brasil. O Departamento de Estado classificou a declaração como "absurda".
As tarifas de 25% e 12,5% aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros também passaram a integrar as discussões entre os dois governos. Em 15 de julho de 2026, Rubio relacionou as medidas à condução das negociações pelo governo Lula.
"Não haja confusão sobre o motivo: o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé", declarou Rubio. "Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso", acrescentou o secretário de Estado do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.