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EUA estão manipulando pauta do trabalho forçado para justificar suas tarifas ilegais, diz Brasil

O governo brasileiro criticou as tarifas anunciadas nesta quinta-feira (23) e ressaltou que o país é signatário de um número significativamente maior de convenções internacionais sobre direitos trabalhistas do que os Estados Unidos.
EUA estão manipulando pauta do trabalho forçado para justificar suas tarifas ilegais, diz BrasilGettyimages.ru / Mateus Bonomi/Anadolu/NurPhoto

Os Estados Unidos estão manipulando a pauta do trabalho forçado, "tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo", para justificar sua política protecionista, que não encontra base legal doméstica. Essa é a avaliação do Brasil, que, ao lado de dezenas de outros países, foi alvo de nova rodada de tarifas anunciadas por Washington nesta quinta-feira (23), sob a alegação de "melhorar o bem-estar dos trabalhadores".

Em nota oficial, o Planalto criticou a nova alíquota, destacando que ao longo de toda a investigação norte-americana, o Ministério do Trabalho e Emprego "prestou explicações" e mostrou a efetividade das medidas contra práticas laborais forçadas no Brasil.

"Somos signatários de 66 Convenções em vigor na Organização Internacional do Trabalho (OIT). Enquanto os Estados Unidos, que se arrogam o direito de nos julgar e de impor sanções, ratificaram apenas 10 dessas Convenções", observa a nota, acrescentando ainda que o Brasil é reconhecido internacionalmente pelo seu engajamento e por compromissos assumidos sobre o tema.

No mesmo sentido, o documento destaca que os acordos comerciais firmados pelo Brasil e pelo Mercosul incluem "compromissos de eliminação do trabalho forçado e compulsório e de aplicação efetiva dessas proibições".

"Tendo em vista o caráter completamente arbitrário e injustificado das tarifas anunciadas contra o Brasil, iniciaremos imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e levaremos o tema ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC", conclui o texto. 

  • Nesta quinta-feira (23), o Brasil, a União Europeia e outras 58 nações se tornaram alvo de novas tarifas dos Estados Unidos, sob a justificativa de combater o trabalho forçado e restringir a entrada de produtos ligados a cadeias de produção que utilizam essa prática.
  • Países como Reino Unido, Canadá, Índia, México e Argentina receberão tarifa de 10%, enquanto determinados produtos da União Europeia, Japão, Coreia do Sul, Suíça e Taiwan serão taxados em 10% ou 12,5%. Os demais países investigados, entre eles o Brasil, estarão sujeitos à alíquota de 12,5%.