
Novo líder supremo do Irã está mais disposto a desenvolver armas nucleares, diz New York Times

Agências de inteligência dos Estados Unidos acreditam que o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, está muito mais disposto do que seu pai e antecessor a desenvolver uma arma nuclear, segundo reportagem do The New York Times, que cita fontes familiarizadas com o assunto.

O aiatolá Ali Khamenei, morto em um ataque israelense realizado com apoio da inteligência americana no início da ofensiva lançada em fevereiro por Washington e Tel Aviv, declarou repetidamente durante seu governo que o Irã não desenvolveria uma arma nuclear. Seu sucessor, por sua vez, nunca afirmou publicamente que o país pretende criar esse tipo de armamento. No entanto, segundo o jornal, a inteligência americana acredita que Mojtaba Khamenei e o atual governo linha-dura — que assumiu o poder após os EUA e Israel matarem diversos líderes da República Islâmica — têm ambições de desenvolver armas nucleares avançadas.
Autoridades americanas alertam que a maior parte das avaliações sobre o atual líder supremo foi produzida antes da guerra. Embora fontes afirmem que Teerã ainda não tomou medidas para retomar seu programa nuclear, acredita-se que o país tenha adotado algumas iniciativas para preservar sua capacidade nuclear após os ataques americanos a instalações estratégicas no ano passado e durante as tréguas da guerra em curso.
O Irã afirma reiteradamente que seu programa nuclear tem fins pacíficos. Ainda assim, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, continua ameaçando realizar ataques "muito fortes" contra qualquer local onde o Irã esteja "sequer pensando em armas nucleares".
Nova escalada bélica
- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que os ataques continuarão até reduzir as capacidades militares do Irã. Ele também ameaçou atingir usinas de energia, pontes e instalações do setor energético caso a República Islâmica se recuse a negociar.
Após um frágil cessar-fogo acordado em abril, o conflito entre os dois países se intensificou, quando Trump declarou encerrado o acordo com a República Islâmica e a acusou de bombardear navios mercantes no Estreito de Ormuz. Desde então, ocorreram intensas trocas de ataques, com bombardeios norte-americanos que atingiram inclusive infraestrutura civil iraniana, enquanto Teerã respondeu com ataques contra bases dos Estados Unidos na região. Além disso, Washington restabeleceu o bloqueio militar aos portos iranianos.
Na quarta-feira (22), Donald Trump lançou uma advertência ao Irã em meio à nova escalada entre os dois países. O presidente ameaçou bombardear uma ponte ou uma usina elétrica para cada ataque que a República Islâmica realizar contra um navio no Estreito de Ormuz. Um dia antes, Trump havia afirmado que os Estados Unidos realizariam ataques "com muita força" contra qualquer local onde o Irã "esteja sequer pensando em armas nucleares".
- Teerã sustenta que suas ações são uma resposta às violações do memorando de entendimento por parte de Washington. Nesse contexto, a Guarda Revolucionária do Irã advertiu que não será exportada "nem uma única gota de petróleo ou gás" da região enquanto continuarem as agressões americanas.

