Os Estados Unidos e o Irã negociam um novo cessar-fogo temporário após quase duas semanas de ataques mútuos relacionados ao controle do Estreito de Ormuz. Segundo a Associated Press (AP), que cita uma fonte envolvida nas negociações, representantes americanos discutem um acordo que permitiria à República Islâmica supervisionar o tráfego de navios pela estratégica via marítima.
De acordo com um funcionário da região envolvido nos esforços de mediação, os dois países mantêm intensa atividade diplomática. Segundo ele, a suspensão dos ataques americanos e dos contra-ataques iranianos contra países vizinhos que abrigam tropas dos EUA representa um "sinal positivo" para os esforços de redução das tensões.
A fonte acrescentou que as negociações estão concentradas em um acordo pelo qual o Irã permitiria a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz com menos restrições. No entanto, nenhum detalhe adicional sobre os termos da proposta foi divulgado.
Entre negociações e ameaças
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, confirmou que o Irã e Omã realizaram várias rodadas de negociações técnicas em Teerã sobre o estreito. Ele afirmou que as negociações progrediram, mas ainda existem divergências sobre o controle da passagem marítima.
Enquanto isso, Donald Trump afirmou que continua preparado para retomar uma campanha militar em larga escala contra a República Islâmica, caso esta não atenda às exigências de Washington.
"Se não conseguirmos 100% do que queremos, então, é claro que o faremos", declarou o presidente dos EUA quando questionado, durante uma breve entrevista por telefone à emissora francesa LCI, se poderia retornar a uma guerra em larga escala.
Nova escalada bélica
- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que os ataques continuarão até reduzir as capacidades militares do Irã. Ele também ameaçou atingir usinas de energia, pontes e instalações do setor energético caso a República Islâmica se recuse a negociar.
Após um frágil cessar-fogo acordado em abril, o conflito entre os dois países se intensificou, quando Trump declarou encerrado o acordo com a República Islâmica e a acusou de bombardear navios mercantes no Estreito de Ormuz. Desde então, ocorreram intensas trocas de ataques, com bombardeios norte-americanos que atingiram inclusive infraestrutura civil iraniana, enquanto Teerã respondeu com ataques contra bases dos Estados Unidos na região. Além disso, Washington restabeleceu o bloqueio militar aos portos iranianos.
Na quarta-feira (22), Donald Trump lançou uma advertência ao Irã em meio à nova escalada entre os dois países. O presidente ameaçou bombardear uma ponte ou uma usina elétrica para cada ataque que a República Islâmica realizar contra um navio no Estreito de Ormuz. Um dia antes, Trump havia afirmado que os Estados Unidos realizariam ataques "com muita força" contra qualquer local onde o Irã "esteja sequer pensando em armas nucleares".
- Teerã sustenta que suas ações são uma resposta às violações do memorando de entendimento por parte de Washington. Nesse contexto, a Guarda Revolucionária do Irã advertiu que não será exportada "nem uma única gota de petróleo ou gás" da região enquanto continuarem as agressões americanas.