Notícias

Pentágono reconhece mais de 600 militares feridos na guerra contra o Irã; metodologia de contagem é alvo de polêmica

O Departamento de Guerra dos EUA criou categoria separada para feridos e mortos após julho, dividindo estatísticas em páginas distintas e dificultando contagem total das vítimas.
Pentágono reconhece mais de 600 militares feridos na guerra contra o Irã; metodologia de contagem é alvo de polêmicaGettyimages.ru / Kevin Dietsch

O número de militares americanos feridos durante o ataque ao Irã subiu para 624informou o jornal The New York Times, citando dados do Departamento de Guerra dos EUA publicados no domingo (26). A contagem oficial inclui 18 soldados mortos desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.

Apenas nas últimas semanas, o Pentágono acrescentou 142 feridos aos registros anteriores, evidenciando a intensidade renovada dos combates após o colapso do cessar-fogo negociado em abril entre Washington e Teerã.

Segundo o jornal, após intensas críticas sobre a suposta minimização dos números de mortos e feridos no conflito, o departamento adotou um método incomum de contabilização que gerou ainda mais controvérsia.

Desde a última atualização, os casos registrados a partir de 7 de julho aparecem em página separada do site oficial, denominada "baixas em operações estrangeiras", enquanto os dados anteriores permanecem sob a designação "Operação Fúria Épica".

Além disso, o Pentágono reinseriu as mortes de quatro soldados na Jordânia e no Iraque, que haviam sido removidas do site, colocando-as em uma categoria separada, sem explicação. Autoridades militares, falando sob condição de anonimato, afirmaram que a remoção inicial decorreu do fato dessas mortes terem ocorrido após o cessar-fogo estabelecido em abril, uma interpretação que gerou perplexidade entre analistas e legisladores.

Transparência questionada no Congresso

Anteriormente, parlamentares de ambos os partidos Democrata e Republicano contestaram vigorosamente a interpretação administrativa da Lei de Poderes de Guerra de 1973, que exige encerramento de operações militares em 60 dias sem autorização congressional.

Legisladores democratas enviaram uma carta formal ao secretário de Defesa exigindo prestação de contas detalhada sobre mortos e feridos, argumentando que a separação artificial dos dados representa manobra deliberada para obscurecer o custo humano real do conflito.

A Câmara já votou pela segunda vez para direcionar Trump a encerrar a guerra ou buscar autorização explícita do Congresso, sinalizando crescente descontentamento bipartidário com a condução das hostilidades contra o Irã.

Escalada do conflito

  • Os confrontos se intensificaram dramaticamente nas últimas semanas, com Estados Unidos e Irã trocando ataques militares constantes que incluem bombardeios aéreos americanos em território iraniano e represálias de Teerã contra bases regionais que abrigam tropas estadunidenses.
  • O Comando Central anunciou inclusive a retomada do bloqueio naval aos portos iranianos, enquanto o presidente Trump alertou que os ataques prosseguirão até degradar completamente as capacidades militares adversárias.
  • Trump ameaçou explicitamente destruir infraestrutura energética iraniana, pontes e usinas caso a República Islâmica recuse se sentar à mesa de negociações.
  • Do outro lado, Teerã responde alegando agir legitimamente contra violações do memorando de entendimento por parte de governo americano. O porta-voz militar iraniano, brigadeiro-general Mohammad Akraminia, declarou que seu país ampliará ainda mais o escopo do conflito caso os ataques persistam, afirmando que as operações agora abrangem desde o Estreito de Bab el-Mandeb até bases americanas na Jordânia, englobando todos os países fronteiriços ao Golfo Pérsico.
  • A Guarda Revolucionária do Irã advertiu que "nem uma gota de petróleo ou gásserá exportada da região enquanto a agressão americana e israelense persistir.