Os Estados Unidos chegaram a entendimentos com Síria e Israel para retirar material nuclear armazenado em uma instalação clandestina no território sírio. A operação será conduzida pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), conforme publicou o portal Axios nesta segunda-feira (10).
A iniciativa buscou evitar uma escalada envolvendo Israel, Síria e possivelmente a Turquia. Autoridades israelenses disseram à reportagem que o país ameaçou bombardear o local caso o material não fosse removido ou houvesse tentativa de acesso por parte do governo sírio.
A instalação, chamada de "Site 99", teria sido usada pelo governo de Bashar al-Assad para armazenar material ligado ao antigo projeto do reator nuclear de Al-Kibar, bombardeado por Israel em 2007.
Autoridades israelenses afirmaram que as Forças de Defesa de Israel (IDF) bombardearam as entradas da instalação pouco depois da queda do governo al-Assad para impedir o acesso ao local.
O material nuclear
Segundo uma autoridade americana, o material inclui "yellowcake", concentrado obtido do minério de urânio que pode ser posteriormente processado e enriquecido no ciclo do combustível nuclear. Também haveria resíduos remanescentes do projeto de Al-Kibar.
De acordo com a mesma fonte, o material armazenado não poderia ser usado prontamente para uma arma nuclear, mas serviria para uma "bomba suja", dispositivo convencional capaz de dispersar material radioativo.
Acordo diplomático
Estados Unidos e Israel discutiram por mais de um ano como lidar com a instalação. Segundo uma autoridade americana, os dois países concluíram que a melhor alternativa seria obter a concordância do novo governo sírio para retirar o material.
Movimentos na área levaram Israel a suspeitar que autoridades sírias tentavam acessar o local e que a Turquia poderia estar envolvida. Washington pediu que Israel não agisse e acionou a AIEA.
O resultado, então, foi um acordo assinado há cerca de três semanas entre a AIEA e o governo sírio para remover o material. A operação ainda não começou, mas autoridades americanas esperam concluí-la antes do fim do ano.