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União Europeia dividida entre proteger seus agricultores ou aumentar preços

A União Europeia quer restringir a importação de alimentos com pesticidas, mas exporta algumas dessas substâncias tóxicas.
União Europeia dividida entre proteger seus agricultores ou aumentar preçosGettyimages.ru / Dominika Zarzycka/NurPhoto

A União Europeia (UE) prepara novas restrições à presença de pesticidas em alimentos importados, com o objetivo de reduzir a desvantagem dos produtores locais frente a concorrentes externos.

Atualmente, a UE permite níveis residuais de substâncias que são proibidas na agricultura europeia, desde que dentro de limites considerados seguros. A nova proposta pretende endurecer os parâmetros para as substâncias mais perigosas, fixando os limites praticamente no mínimo detectável.

Cenários variáveis, números preocupantes

Um estudo publicado na terça-feira (11) pelo Centro Comum de Investigação (CCI) da Comissão Europeia analisa o impacto potencial da aplicação deste critério a 18 substâncias proibidas, 235 produtos agrícolas e exportações de 86 países. Em todos os cenários estudados, as importações diminuem, a produção europeia aumenta e os preços sobem.

No cenário mais extremo, as importações agrícolas podem recuar 41%, com aumentos de preço de até 332% para o café e 85% para os cítricos. O estudo ressalta que os números não são previsões definitivas: se os produtores substituírem os pesticidas afetados por alternativas, o impacto será consideravelmente reduzido.

A iniciativa atende a demandas de agricultores europeus, que há anos denunciam concorrência desleal com produtos cultivados sob normas menos rigorosas. No entanto, países como Estados Unidos e Austrália já questionaram a medida, vendo-a como potencial barreira comercial.

Dois pesos e duas medidas

A política europeia também enfrenta críticas por contradição interna: empresas sediadas na UE podem fabricar pesticidas proibidos no bloco e exportá-los para terceiros países, algo que a Comissão prometeu rever em 2020, mas que até agora não resultou em proibição geral.

Organizações ambientais denunciam a política de dois pesos e duas medidas, enquanto outros argumentam que uma proibição unilateral pode apenas deslocar a produção para outros países, sem reduzir o uso global das substâncias.

A futura reforma terá de equilibrar os interesses dos agricultores europeus, uma política ambiental coerente e o menor impacto possível sobre os custos.