EUA mudam chefe de escritório responsável por relação com Brasil e América Latina

O empresário Juan Pablo Segura é o novo secretário-assistente de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental.

O governo dos Estados Unidos trocou o responsável pelo escritório do Departamento de Estado que trata das relações com a América Latina, incluindo o Brasil. O anúncio ocorreu nesta segunda-feira (17).

empresário Juan Pablo Segura tomou posse como novo secretário-assistente de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental na sexta-feira (14). O presidente Donald Trump o indicou para o cargo em abril, com o nome sendo confirmado pelo Senado neste mês, após audiência no Comitê de Relações Exteriores da Casa. Ele substituiu o embaixador Michael Kozak, que ocupava a função interinamente.

Em mensagem nas redes sociais, Segura afirmou que pretende impulsionar "a visão do presidente Trump para que nossa região esteja a salvo dos cartéis e dos narcoterroristas", gerando "prosperidade para os americanos e nossos associados", além de assegurar "nossas fronteiras.

Fala sobre Moraes

O novo secretário-assistente já se manifestou publicamente, em fevereiro de 2025, contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, após o magistrado multar a rede social X por descumprimento de uma ordem judicial.

"Bloquear o acesso a informações e aplicar multas a empresas sediadas nos EUA por se recusarem a censurar pessoas que vivem nos Estados Unidos é incompatível com valores democráticos, incluindo a liberdade de expressão", escreveu na ocasião, citado pela imprensa brasileira.

Tensões com o Brasil

A mudança no governo norte-americano ocorre em meio a tensões entre Washington e Brasil. Recentemente, os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora brasileira no país, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Segundo o Departamento de Estado, a medida responde à demora brasileira em autorizar Daniel Perez a assumir a representação americana em Brasília.

A decisão americana ocorreu dez dias após o Itamaraty negar vistos ao secretário-assistente Riley M. Barnes e ao subsecretário-assistente Samuel Samson, ambos do Departamento de Estado.

Os dois foram apontados pelo jornal The Washington Post como responsáveis por uma estratégia para questionar a integridade e a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.

Um porta-voz do Departamento de Estado negou que os funcionários pretendessem interferir nas eleições. Segundo o governo americano, a visita trataria de "integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão" com autoridades brasileiras e representantes da sociedade civil.

As relações entre Brasil e Estados Unidos começaram a se deteriorar em julho de 2025, quando Trump anunciou tarifas sobre produtos brasileiros e relacionou a medida ao que chamou de "caça às bruxas" contra Jair Bolsonaro.

As tensões diminuíram no fim daquele ano, após negociações, redução de tarifas e retirada de algumas sanções contra autoridades brasileiras. Lula e Trump também se encontraram duas vezes.

A relação voltou a se desgastar no fim de maio. Em julho, os Estados Unidos impuseram uma tarifa de 25% ao Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio e, dois dias depois, anunciaram outra taxa de 12,5% sob a justificativa de falta de combate ao trabalho forçado.