
Agricultura europeia enfrenta crise 'sem precedentes' com queda na produção e perdas bilionárias

As sucessivasondas de calor e secas intensas que assolam a Europa mergulharam a agricultura numa crise "sem precedentes", com perdas que afetam particularmente as culturas de hortaliças e cereais, onde se esperam colheitas "catastróficas", informou na segunda-feira (17) o The Guardian.

Na França, a produção de vegetais despencou: a colheita de brócolis é 60% menor, a ervilha 40%, e algo entre metade e a totalidade da produção de alcachofra pode ser perdida. A colheita de milho poderá diminuir 35% em comparação com 2025, para cerca de 9 milhões de toneladas, um nível inferior a 1981.
O impacto também se estende à pecuária. Os produtores franceses relatam quedas entre 10% e 15% na produção de leite, enquanto que a produção de feno para alimentação do gado no inverno está cerca de 30% abaixo da média histórica.
A produção de ovos também caiu em quase um milhão por dia devido à alta mortalidade de aves durante as ondas de calor.
A situação se repete em outros países. Mais de 60% das terras agrícolas da Itália sofrem com algum grau de seca, com perdas superiores a 3 bilhões de euros (mais de US$ 3,4 bilhões). Na Espanha, as colheitas de cereais registraram quedas acentuadas em diversas regiões, e o setor vitivinícola prevê uma queda de 20% na produção até 2026.
