
Marrocos reivindica 'direito histórico' sobre Ceuta e Melilla; Espanha responde

O ministro da Justiça marroquino, Abdellatif Ouahbi, declarou na sexta-feira (21) que as cidades autônomas de Ceuta e Melilla constituem um "direito histórico" e "geográfico" do Marrocos e, portanto, instou a Espanha a criar um mecanismo de diálogo para abordar o futuro dessas cidades e alcançar o "retorno" delas à nação bérbere.
"A questão de Ceuta e Melilla continuará sendo um tema de diálogo entre nós e a Espanha, e manteremos nosso direito histórico e geográfico", disse Ouahbi em entrevista ao canal público marroquino 2M, onde defendeu o estabelecimento de "meios de diálogo" com Madri e a busca de "uma solução definitiva para a situação atual".

Em resposta à posição do país africano, o Ministério das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação da Espanha informou ao Marrocos que tanto Ceuta quanto Melilla "são duas cidades espanholas" e, consequentemente, "fazem fronteira entre a Espanha e a União Europeia (UE)".
"Elas fazem parte da integridade territorial e da soberania da Espanha, reconhecidas internacionalmente, e também são parte integrante do território da UE. Rejeitamos e rejeitaremos categoricamente qualquer abordagem diferente em relação a Ceuta e Melilla", disseram fontes diplomáticas espanholas à RTVE e à EFE.
O meio de comunicação espanhol lembrou que, dias antes, a Ministra da Defesa, Margarita Robles, enfatizou que Ceuta e Melilla são cidades "muito espanholas" e que nenhuma delas "será tocada". A declaração da alta autoridade espanhola também foi uma resposta a uma intervenção anterior de Ouahbi, quando afirmou que a soberania de ambas as cidades, reivindicadas por Marrocos desde a sua independência em 1956, permanecia "pendente".
Tanto Ceuta quanto Melilla foram significativamente afetadas nas últimas semanas após uma onda massiva de imigrantes ilegais que atravessaram a fronteira do Marrocos para esses territórios, causando uma grave crise humanitária e social na Península Ibérica. A presença de marroquinos nas ruas de ambas as cidades e de outras localidades da Espanha também gerou rejeição por parte de muitos moradores locais que denunciam que os imigrantes sem documentos cometem atos de violência e invadem propriedades privadas.
