O acordo comercial entre os EUA e o Canadá fracassou no último minuto na noite de sexta-feira (21), depois que ambos os governos se acusaram mutuamente de alterar os termos previamente acordados.
"Esta noite, o Canadá se recusou a finalizar o acordo comercial nos termos acordados no início desta semana apesar da oferta dos EUA de obter o melhor acordo possível entre os principais exportadores para o nosso mercado", afirmou o Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, durante coletiva de imprensa virtual.
Segundo Greer, os canadenses se retiraram da mesa de negociações minutos antes do prazo final para as novas tarifas de 50% que o governo Trump pretende impor sobre produtos daquele país.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, anunciou que ordenou que seus negociadores retornassem a Ottawa porque as "mudanças de última hora" nos termos propostos por Washington eram "injustas, antieconômicas e comprometiam a confiabilidade de qualquer acordo".
"À meia-noite de hoje, os EUA planejam impor uma tarifa de 50% sobre aproximadamente US$ 28 bilhões em produtos canadenses. O Canadá igualará essas tarifas dólar por dólar para proteger nossos trabalhadores e empresas", afirmou.
Golpe tarifário contra o Canadá
Em julho, Trump anunciou uma nova rodada de tarifas de 50% sobre produtos canadenses, alegando que seu vizinho do norte impõe um "tratamento discriminatório" a "produtos americanos".
Em particular, a medida, que foi apresentada como "compensatória" para supostas assimetrias comerciais, visava automóveis, produtos lácteos e bebidas alcoólicas, mas deixava de fora produtos do setor energético, potássio, minerais críticos, bem como outros itens que já estão sujeitos a tarifas, em uma lista que inclui aço, alumínio, cobre, caminhões e automóveis destinados à agricultura, madeira e tábuas.
- Desde que retornou à Casa Branca em janeiro de 2025, Trump lançou uma guerra comercial contra diversos países ao redor do mundo sob o pretexto de que havia chegado a hora da "independência econômica dos EUA", atacando nações estrangeiras que "saquearam e exploraram" os EUA por décadas.
- Em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA derrubou as tarifas globais anunciadas pelo presidente no ano anterior, considerando ilegais os fundamentos para sua imposição.
- Apesar disso, o governo Trump continuou sua política tarifária, refinando novas estratégias. Em particular, no final de julho, o governo Trump anunciou a implementação de uma nova tarifa entre 10% e 12,5% sobre produtos de 60 economias que, segundo Washington, não combateram suficientemente o trabalho forçado. A decisão teria como objetivos "combater o trabalho forçado nas cadeias de suprimentos globais", "proteger os trabalhadores [locais] com a liderança dos EUA" e "tomar medidas enérgicas contra as práticas comerciais mais desleais".