
Europa de volta ao Atlântico? Referendo divide país sobre adesão à União Europeia

Os islandeses votam neste sábado (29) para decidir se o país deve reabrir as negociações de adesão à União Europeia, em consulta que dividiu a população ao meio após campanha focada no custo de vida, segurança, soberania e controle sobre águas pesqueiras, conforme reportou a agência britânica Reuters.
- A Islândia solicitou ingresso em 2009, durante uma crise financeira, mas as conversas foram suspensas em 2013 pelo governo eurocético do premiê Sigmundur Davíð Gunnlaugsson e formalmente canceladas em março de 2015.

Pesquisa divulgada na véspera apontou que 51,6% pretendiam votar contra a retomada das conversas, enquanto 48,4% apoiavam a proposta, segundo o Iceland Monitor. Os dados representaram inversão em relação a levantamento anterior, que indicava ligeira vantagem para os defensores do diálogo com Bruxelas.
As urnas abriram às 9h [horário local] e permanecem disponíveis até às 22h, com resultados previstos para a madrugada de domingo (30). A primeira-ministra Kristrun Frostadottir declarou após votar na capital que o referendo representava "um grande dia" e que seu governo continuaria trabalhando independentemente do resultado.

Defensores do "sim" argumentam que a adesão ao bloco poderia aliviar as elevadas taxas nacionais de juros — fixadas em %, contra 2,25% do Banco Central Europeu — e oferecer maior segurança num contexto marcado pelo conflito russo-ucraniano e ameaças do presidente norte-americano Donald Trump sobre a Groenlândia.
A oposição, liderada pela parlamentar e ex-ministra da Justiça Gudrun Hafsteinsdottir, nega que Bruxelas resolverá os problemas econômicos do país e alerta que a adesão ameaçaria a soberania e os recursos pesqueiros da ilha.
Caso prevaleça o "sim", apenas se iniciaria o caminho para discussões com a UE, sendo necessário segundo referendo sobre eventual acordo de adesão.

