
Com a vara curta: Nova frente da OTAN toma forma na fronteira russa

As Forças Armadas Suecas enviarão em breve caças Gripen e navios militares para a Finlândia para patrulhar áreas de alto risco ao longo da fronteira finlandesa com a Rússia, informou a emissora pública sueca SVT na sexta-feira (28).
A publicação também não descarta a possibilidade de que unidades especializadas em combate a drones precisem ser mobilizadas nos próximos meses e observa que o governo sueco tomou a decisão de fornecer apoio militar a pedido da Finlândia.

O presidente finlandês, Alexander Stubb, afirmou que o desenvolvimento da cooperação militar com a Suécia visa fortalecer sua "capacidade de detectar e neutralizar drones".
"A região nórdica é um espaço unido. Confiamos uns nos outros e juntos somos mais fortes. Essa cooperação também contribui para a dissuasão e a defesa da OTAN", escreveu Stubb em suas redes sociais.
Militarização dos países nórdicos
O fortalecimento desse tipo de cooperação entre os dois países é tão somente o mais novo capítulo da crescente e acelerada militarização da região.
Anteriormente, o Ministério da Defesa sueco anunciou que um contingente militar significativo seria colocado sob o comando da OTAN, formando a base das forças terrestres da aliança implantadas na Finlândia.
O governo sueco também propôs a integração dos sistemas de defesa antiaérea dos países nórdicos e bálticos e multicamadas para proteção contra mísseis balísticos e de cruzeiro, bem como drones.

Entretanto, os países da região estão revendo ativamente suas próprias políticas nucleares. A Finlândia aprovou recentemente umalei de energia nuclear que permitirá a importação e o posicionamento de armas nucleares em seu território.
Preparo de guerra
Enquanto a Europa continua a retratar a Rússia como uma ameaça existencial, alguns especialistas acreditam que essa estratégia pode levar a um beco sem saída.
O economista finlandês Tuomas Malinen, da Universidade de Helsinque, apontou aos líderes dos países nórdicos que essa política poderia, em última instância, arrastá-los para um conflito com a Rússia.
"Estava tudo bem até eles começarem uma guerra contra a Rússia, uma guerra que não nos diz respeito em nada. O que [os russos] têm contra vocês? Ou vocês são apenas incrivelmente estúpidos?", escreveu Malinen.
"Estão prestes a nos arrastar para uma guerra onde apenas uma pequena parte do nosso povo sobreviverá. Eu realmente me pergunto como vocês conseguem dormir à noite?"
Como a Europa está se tornando o principal ator anti-Rússia da OTAN
- Nos últimos meses, o Ocidente intensificou sua narrativa sobre uma suposta ameaça russa. No entanto, Moscou afirmou em diversas ocasiões que não planeja atacar a Europa.
- O presidente russo, Vladimir Putin, reiterou que as elites governantes europeias estão tomadas pela histeria de que "a guerra com os russos está logo ali". "É impossível acreditar nisso, embora tentem convencer sua própria população", acrescentou.
- Além disso, o presidente destacou que a atual crise ucraniana é consequência direta de o Ocidente ter ignorado durante anos os legítimos interesses de segurança de Moscou, implementando uma política voltada a criar ameaças ao país por meio do avanço do bloco da OTAN em direção às fronteiras russas.
- O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, denunciou neste ano que as declarações dos líderes ocidentais demonstram que eles estão se preparando "seriamente" para uma guerra. Segundo ele, o objetivo de impor uma derrota estratégica à Rússia continua presente nas mentes e nos planos de lideranças europeias.

