
Níger sufoca levante militar após horas de tiroteios e explosões na capital

Um motim de soldados do exército do Níger atacou o aeroporto internacional Diori Hamani e o palácio presidencial na capital Niamey, na madrugada deste sábado (29), desencadeando horas de intensos tiroteios e explosões que chegaram a tirar do ar temporariamente a televisão e o rádio estatais, segundo fontes da imprensa africana.
O palácio parecia estar sob controle de forças leais pela manhã, mas a área do aeroporto ainda era disputada, segundo informações da agência britânica Reuters.

O Ministério da Defesa nigerino anunciou posteriormente que as forças de defesa e segurança conseguiram conter a "tentativa de insurreição" e retomar progressivamente o controle dos pontos sensíveis da cidade, classificando o incidente como um esforço de golpe militar impedido pela "rápida reação" das tropas.
O ataque, terceiro neste ano contra o aeroporto em Niamey após ofensivas em janeiro e junho, envolveu soldados de bases da capital e das localidades de Ouallam, Tera e Dosso, no sudoeste, regiões onde tropas enfrentam pesadas baixas em combates contra afiliados do Estado Islâmico, gerando frustração crescente.
🇳🇪 : Tôt ce matin au Niger, des soldats mutins ont attaqué l’aéroport de Niamey et les environs de la présidence. D’après TV5, les combats sont toujours en cours près du palais présidentiel alors que la présidence affirme avoir le contrôle de la situation. #Niger#Sahel…
— Infos Minutes (@InfosMinutesFR) August 29, 2026
Inicialmente, houve suspeitas de envolvimento de grupos jihadistas, já que afiliados da Al-Qaeda* e do Estado Islâmico* estiveram envolvidos nas ofensivas anteriores. Contudo, a imprensa nigerina indica que não houve reivindicações pelos canais habituais do JNIM* ou do Estado Islâmico* até a divulgação oficial.
*Reconhecidos como grupos terroristas na Rússia e proibido em seu território.
Bússola geopolítica
O levante representa mais uma ameaça ao governo de Abdourahamane Tiani, que assumiu o poder num golpe militar em 2023 e abriu caminho à formação da Confederação dos Estados do Sahel junto a Mali e Burkina Faso, prometendo melhorar a segurança no país, importante produtor de urânio.
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O governo de Tiani, nomeado presidente do Conselho Nacional de Salvaguarda da Pátria, depôs a Presidência de Mohamed Bazoum, que havia sido considerado um parceiro crucial do Ocidente no combate ao "extremismo" na região do Sahel.

Desde então, o Níger rompeu laços com parceiros de segurança ocidentais tradicionais e se aproximou da Rússia, ainda enfrentando ataques jihadistas e sanções da opositora Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (ECOWAS).
Em julho, Tiani havia acusado a inteligência francesa de planejar novos ataques contra o país, afirmando que serviços franceses trabalhavam para um "terceiro ataque" após as ofensivas deste ano.
O líder nigerino atribuiu essas operações a mercenários "a soldo da França", enquadrando o conflito como uma luta contra o colonialismo francês na região.

