
Refúgio argentino? Manifestantes protestam presença de Peter Thiel, da Palantir, em Buenos Aires

Ativistas sociais e ambientais argentinos promoveramno sábado (29) uma manifestação em frente à residência do bilionário Peter Thiel, cofundador do PayPal e da Palantir Technologies, em um bairro nobre de Buenos Aires, segundo informações da imprensa internacional.
🔴La manifestación afuera de la casa de Peter Thiel en el barrio porteño de Barrio Norte
— El Destape (@eldestapeweb) August 29, 2026
📹 @lucabonfante_pic.twitter.com/bhNfLvpvIm
O protesto visou expressar rejeição ao Regime de Incentivos para Grandes Investimentos (Super RIGI) proposto pelo presidente Javier Milei e aprovado em junho, além de clamar pela defesa da soberania nacional sobre recursos naturais e exigir a saída do empresário do país.
- O Super RIGI é um regime de benefícios fiscais e de estabilidade aduaneira e cambial por 30 anos, visando atração de investimentos em setores estratégicos.
- Críticos da oposição argumentam que ele representa uma "rendição da República Argentina" a interesses estrangeiros, enquanto governistas sustentam que os incentivos impulsionam o desenvolvimento tecnológico do país.

Os manifestantes se reuniram sob o slogan "Peter Thiel, vá para casa" e acusaram o empresário de interferir ativamente na política e economia locais.
Os protestos responsabilizaram suas operações corporativas por danos ambientais e à saúde graves, exigindo a interrupção imediata das atividades de suas empresas no país sul-americano.
"Magnatas da tecnologia dessa espécie não são bem-vindos neste território", disse o manifestante Andy, citado pela mídia Viory, argumentando que as tecnologias desenvolvidas por Thiel visam controlar a cidadania.
"Desalojo exprés a Peter Thiel".
— Prensa Obrera (@prensaobrera) August 29, 2026
Una nueva concentración en la puerta de la casa del magnate tecnológico rechaza el intento de media sanción del super Rigi en el Senado, una legislación al servicio de los Peter Thiel que quieren apropiarse de los territorios, del agua y de la… pic.twitter.com/kGlGQ4IulJ
Alguns manifestantes se fantasiaram de Gandalf, personagem de "O Senhor dos Anéis", em referência à afinidade de Thiel com a saga de JRR Tolkien. Vestidos com capas cinzas e chapéus pontudos, carregaram uma faixa com os dizeres "Você não passará".
A terra prometida ao capital
A manifestação sucedeu uma audiência parlamentar de cinco horas realizada em 26 de agosto no Congresso argentino, que alvejou as atividades do magnata germano-americano.
Parlamentares de oposição investigaram os interesses de Thiel no país, aumentando o escrutínio após a compra uma mansão em Buenos Aires e aquisição de 1% em participação na Vista Energy, maior exportadora de petróleo do país.

Expositores analisaram desde os vínculos do bilionário com o governo Milei e projetos como a "cidade privada" Próspera em Honduras, até tentativas anteriores da Palantir de administrar a digitalização dos arquivos secretos do caso do atentado à Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA) de 1994, em 2017.
O governo confirmou, em abril, um encontro entre Thiel e o presidente Javier Milei na Casa Rosada, no mesmo mês em que o bilionário estabeleceu residência temporária no país, matriculando seus filhos em uma escola local.
A revista analítica New Lines contextualiza que a chegada de Thiel à Argentina não representa paranoia ou fuga de impostos, mas uma operação logística coordenada por uma rede de intermediários e think tanks pertencentes à direita transnacional.
Segundo o cientista social argentino Pablo Alabarces, o país ofereceria condições materiais excepcionais: energia barata da formação de Vaca Muerta na Patagônia, reservas estratégicas de lítio e minerais raros, além da disposição do governo Milei em desmantelar controles e regulações.
"Todos os bilionários do mundo que querem fugir de países cada vez mais regulamentados, com impostos mais altos e governos que perseguem seus cidadãos, são bem-vindos na República Argentina", declarou o chefe de gabinete de Milei, Manuel Adorni, em abril.
Por sua vez, os contratos da Palantir com o Departamento de Guerra dos EUA exemplificam a construção de uma infraestrutura de vigilância tecno-autoritária que, como apontam manifestantes, se alimentam dos dados pessoais de cidadãos comuns.
- A Palantir mantém contratos com CIA, FBI e a Segurança Nacional dos EUA, e sua tecnologia foi apontada como usada em operações militares controversas, incluindo um ataque a uma escola primária no Irã que matou 168 pessoas, a maioria meninas.
O jornal americano Bloomberg revelou na sexta-feira (28) que Thiel cancelou sem explicação sua participação em uma conferência empresarial programada para a semana seguinte.

