
Turquia chama Netanyahu de 'inimigo comum da humanidade' e cobra reação

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, criticou nesta segunda-feira (31) o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em meio à escalada retórica entre os dois países, e o classificou como "inimigo comum da humanidade, da comunidade internacional e da segurança global". A informação foi publicada pela agência Anadolu.
"O assassino e genocida Netanyahu, a esta altura, seriamente já não é um ser humano", afirmou Fidan. O chanceler disse que considerar as ações de Israel uma ameaça exclusiva à Turquia seria "um grande erro".
Segundo Fidan, a postura promovida por Netanyahu e sua "massa genocida" ameaça não apenas a segurança regional, mas também a internacional. Ele pediu que a comunidade internacional intervenha para impedir que o primeiro-ministro israelense continue causando danos.

Tensão com Israel
Fidan afirmou que Netanyahu rejeita a criação de um Estado palestino e o fim da ocupação da Faixa de Gaza. O chanceler pediu à comunidade internacional que "lute contra esta ameaça" representada pelo premiê israelense.
As declarações foram uma resposta à posição do governo de Israel de classificar a Turquia como uma ameaça estratégica e ao recente aumento da retórica israelense contra o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.
Fidan atribuiu a escalada ao início do processo eleitoral em Israel. As eleições parlamentares serão realizadas em outubro e determinarão um novo governo de coalizão e o próximo primeiro-ministro.
- A escalada entre Turquia e Israel se agravou entre maio e julho, após a interceptação pelas forças israelenses da flotilha humanitária Global Sumud, que seguia para Gaza, e depois que um tribunal de Istambul emitiu mandados de prisão contra Netanyahu e 34 altos funcionários israelenses.
- No dia 17 de agosto, Erdogan afirmou que seu país não é favorável à guerra na região, mas se posiciona ao lado da paz, e apontou Israel como o principal impulsionador do conflito entre os EUA e o Irã.
- No dia 18 de agosto, Tel Aviv bombardeou a base aérea de Abu al-Duhur, na província síria de Idlib, e justificou o ataque alegando que a Turquia supostamente planejava mobilizar tropas no local. Ancara rejeitou as afirmações e acusou Netanyahu de manter "políticas expansionistas e desestabilizadoras" na região, de olho nas eleições de 27 de outubro.
- No dia 21 de agosto, a Turquia solicitou à Interpol um "alerta vermelho" contra Netanyahu, no âmbito do processo judicial em andamento pela acusação de "genocídio". Em resposta, o Gabinete do primeiro-ministro israelense acusou Erdogan de ser um "ditador antissemita".
- No dia 28 de agosto, Netanyahu voltou a se pronunciar contra a aproximação entre Damasco e Ancara e usou a crescente influência turca na Síria para justificar os recentes ataques israelenses contra o território sírio.
