
Lula se reúne com Gilmar Mendes para tratar de crise envolvendo Moraes e Vorcaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no Palácio do Planalto na terça-feira (1º) para tratar da repercussão das mensagens envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. O encontro não constou na agenda oficial. A informação foi publicada nesta quarta-feira (2) pelo jornal O Globo.
Segundo relatos de interlocutores, Lula demonstrou preocupação com o desgaste institucional do Supremo e teria afirmado que é preciso evitar danos ao tribunal.

Mensagens tornadas públicas por ordem do ministro André Mendonça indicam que Vorcaro era orientado por Moraes durante a crise do Banco Master, no fim de 2025. Em um dos diálogos, o banqueiro perguntou ao ministro se deveria deixar o país.
A mensagem foi enviada em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez diante das suspeitas de fraudes. O material está com a Polícia Federal (PF).
Desdobramentos
Mendonça pretende levar o tema para discussão no plenário do Supremo.
A oposição passou a pressionar pelo impeachment de Moraes. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobrou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), paute um pedido, possibilidade descartada por ora por Alcolumbre.
No entorno de Lula, a avaliação é que o episódio pode gerar desgaste para o presidente por sua proximidade com ministros do STF. Aliados dizem, sob reserva, ver com desconfiança o movimento de Mendonça e falam em seletividade.
Governistas pretendem usar a quebra de sigilo para pressionar Mendonça a retirar também o sigilo da investigação sobre "Dark Horse", filme sobre Jair Bolsonaro que recebeu recursos pagos por Vorcaro.
Clima no STF
Lula ainda não se manifestou publicamente sobre as revelações. Aliados defendem que o presidente apoie as investigações e o direito de Moraes apresentar sua defesa.
As revelações também aumentaram a tensão interna no Supremo. Segundo o material, a Corte está dividida entre uma ala mais alinhada a Moraes e outra a Mendonça, e um ministro afirmou, sob reserva, que o clima está "tenso".

