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Vorcaro confessa ter criado relações políticas para se 'proteger de retaliações' — Estadão

O ex-controlador do Banco Master prestou depoimento no gabinete do ministro André Mendonça na semana passada. Nesta quarta-feira (2), o jornal divulgou, com exclusividade, trechos do depoimento.
Vorcaro confessa ter criado relações políticas para se 'proteger de retaliações' — EstadãoRT

O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou, em depoimento no gabinete do ministro André Mendonça, que cultivou relações políticas e "relacionamentos com pessoas relevantes" para se proteger da "investida" de "pessoas que comandam" o Brasil. A declaração foi obtida com exclusividade pelo Estadão e divulgada nesta quarta-feira (2).

"Eu fiz eventos do banco, fiz interações, sempre com o intuito de me proteger contra a investida dessas pessoas que, no meu entendimento, são as pessoas que comandam não só a economia, mas também a política do nosso País. E isso, no meu entendimento ali, eu ia conseguir evitar, sobreviver, inclusive, ao final, até mesmo sair do mercado, porque a pressão era tão grande que eu preferiria realmente não ficar mais no mercado, onde o próprio líder diz que eu não era bemvindo. E essas medidas de defesa que eu fiz, doutor, elas se traduziram em relações e relacionamento com pessoas relevantes, porque eu tinha medo das retaliações que poderiam acontecer", afirmou Vorcaro no depoimento, realizado na semana passada.

Mendonça revelou, ao retirar o sigilo da investigação sobre o Banco Master na terça-feira (1º), que o ministro Alexandre de Moraes mantinha uma relação próxima com Vorcaro. Segundo a Polícia Federal (PF), os dois se encontraram ao menos oito vezes, e Moraes chegou a editar um contrato de R$130 milhões entre o escritório de advocacia de sua esposa e o empresário.

Nas mensagens, o ex-banqueiro chega a perguntar se Moraes já havia conseguido bloquear "a maldade e a sacanagem" contra ele. O conteúdo também revela que Vorcaro pediu que Moraes entrasse em contato com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para frear ações contra ele.

"Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você. Toda minha família, funcionários, parceiros, amigos que dependem de nós têm uma dívida de vida contigo e com sua família. Muito obrigado por tudo", escreveu Vorcaro a Moraes em um dos contatos.

Gonet, por sua vez, chamou o dono do Banco Master de "máquina" e disse estar com "saudades" após aceitar um convite para uma degustação em Londres, segundo material obtido pela PF.