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O uso prolongado deste suplemento pode aumentar o risco de insuficiência cardíaca

A análise também registrou um aumento na frequência de mortes por outras causas entre pessoas com histórico de uso prolongado de melatonina.
O uso prolongado deste suplemento pode aumentar o risco de insuficiência cardíacaGettyimages.ru

Pesquisadores alertam sobre a segurança do uso prolongado da melatonina, suplemento muito usado contra insônia. Pacientes com insônia crônica que tomaram melatonina pelo período de um ano tiveram maior risco de insuficiência cardíaca nos cinco anos seguintes em comparação com pacientes que não usaram o suplemento.

As informações são baseadas em um estudo preliminar apresentado no congresso da Associação Americana do Coração em 2025.

O que é melatonina?

Melatonina é um hormônio natural produzido na glândula pineal, localizada no cérebro. É conhecida como o "hormônio do sono" porque desempenha um papel importante na regulação do ritmo natural de dormir e acordar. 

A versão sintética do hormônio é idêntica à produzida pelo corpo e é amplamente usada contra insônia e jet lag.

Mais perigoso do que parece

"Os suplementos de melatonina podem não ser tão inofensivos quanto se costuma pensar", afirmou Ekenedilichukwu Nnadi, principal autor da pesquisa. Ele alerta que, se os achados forem confirmados, a abordagem médica sobre os soníferos pode mudar.

O estudo analisou dados de 130.828 adultos com insônia com idade média de 55,7 anos — sendo 61,4% mulheres.

Os resultados mostraram queadultos com insônia que usaram melatonina por 12 meses apresentaram um risco cerca de 90% maior de desenvolver insuficiência cardíaca nos cinco anos seguintes. Os números mostram que 4,6% dos usuários de melatonina apresentaram o problema, contra 2,7% no grupo que não usava o suplemento.

Maiores riscos de internação e morte

Os cientistas revelaram que os participantes do grupo que usou melatonina apresentaram quase 3,5 vezes mais probabilidade de serem hospitalizados por insuficiência cardíaca, com taxas de 19,0% contra 6,6% no grupo de controle.

A análise também registrou uma maior frequência de mortes por outras causas entre pessoas com histórico de uso prolongado de melatonina. Em cinco anos, 7,8% dos participantes do grupo que usou o suplemento morreram, contra 4,3% dos que não o usaram — uma diferença associada a um risco quase duas vezes maior.

Os pesquisadores destacam, contudo, que as limitações do estudo não permitem estabelecer uma relação causal direta entre o uso de melatonina e o risco cardiovascular, sendo necessárias pesquisas adicionais para avaliar a segurança do suplemento.