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Cuba: Washington busca eliminar caráter alternativo que Havana representa contra 'capitalismo selvagem'

Segundo o ministro das Relações Exteriores cubano, setores poderosos de Washington "estão preocupados" com a existência desse modelo alternativo.
Cuba: Washington busca eliminar caráter alternativo que Havana representa contra 'capitalismo selvagem'Gettyimages.ru / Angelo Mastrascusa/Anadolu

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, afirmou que, historicamente, Cuba tem representado uma alternativa ao capitalismo selvagem e que essa é uma preocupação que os Estados Unidos querem eliminar.

Durante uma entrevista no podcast "Cuba Análisis", o ministro afirmou que há políticos nos Estados Unidos que buscam "erradicar o caráter alternativo" que representa a experiência histórica da ilha diante do “capitalismo selvagem”, bem como do "neoliberalismo mais ortodoxo" e das "correntes fascistas e neofascistas” que, segundo ele, ganham terreno na atualidade.

Rodríguez destacou que esses setores “estão preocupados com a existência de um modelo alternativo” ao que pretendem impor em todo o mundo e que, segundo ele, já foi imposto a uma série de países nos últimos anos.

Nesse sentido, ele destacou que apenas esses países poderiam se beneficiar da atual política de Washington e de um agravamento do conflito bilateral, ressaltando que o que realmente é conveniente para a população norte-americana é "avançar rumo à normalização das relações, com base na eliminação do bloqueio e das ameaças" contra Cuba.

Cerco dos EUA contra Cuba

  • Em 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que declara uma "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo a Casa Branca, Cuba representaria para a segurança dos EUA e da região. O texto acusa o governo cubano de se alinhar a "diversos países hostis", abrigar "grupos terroristas transnacionais" e permitir a instalação na ilha de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.

  • Com base nessas alegações, foi anunciada a imposição de tarifas aos países que venderem petróleo a Cuba, além de ameaças de represálias contra aqueles que agirem em desacordo com a ordem executiva da Casa Branca.

  • A medida ocorre em meio a uma escalada das tensões entre Washington e Havana, que tem rejeitado reiteradamente essas alegações e advertido que defenderá sua integridade territorial. O presidente de Cuba respondeu que "esta nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de uma camarilha que sequestrou os interesses do povo norte-americano para fins puramente pessoais".

  • Em 7 de março, Trump anunciou que "uma grande mudança chegará em breve a Cuba", que, acrescentou, está chegando "ao fim do caminho".

  • Os EUA mantêm o bloqueio econômico e comercial contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta gravemente a economia do país, foi reforçado recentemente com diversas medidas coercitivas e unilaterais.