O encarregado de negócios da Embaixada do Brasil em Buenos Aires, Eduardo Uziel, destacou o apoio brasileiro à soberania argentina sobre as ilhas Malvinas ao enviar um recado ao governo de Javier Milei durante as celebrações do Dia da Independência brasileira. A informação foi publicada pelo portal Terra nesta terça-feira (8).
"Quiçá, o exemplo mais perene desta amizade seja o apoio brasileiro invariável desde 1833 à soberania argentina sobre as ilhas Malvinas. Política de Estado sempre por convicção", afirmou Uziel na segunda-feira (7), no Teatro Colón, em Buenos Aires.
A declaração ocorreu em um momento de tensão diplomática entre os dois países. O discurso foi coordenado com o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, chamado a consultas em Brasília, e com o chanceler Mauro Vieira.
Uziel também afirmou que Brasil e Argentina construíram uma relação "profunda, estratégica e mutuamente beneficiosa" que deve ser preservada além de diferenças entre governos.
Recado a Milei
"Uma amizade que independe dos governos e que é maior do que qualquer fantasia ou mapa bicolor", disse o diplomata. Em seguida, acrescentou que a relação é "mais forte do que qualquer mesquinharia ou temporária miopia".
Uziel também classificou o atual momento da relação bilateral como "uma época estranha", ao recordar uma fala feita por Bitelli no mesmo evento em 2025.
"Ninguém, então, poderia imaginar que a nossa época ficaria ainda mais estranha", afirmou.
O encarregado de negócios disse ainda que a relação entre os países deve ser cultivada "para além de circunstanciais diferenças ou desinteligências".
Crise diplomática
Bitelli foi chamado a consultas em Brasília em 26 de julho, um dia depois de Milei chamar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "ladrão", "corrupto" e "presidiário" durante o lançamento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro em São Paulo.
Milei também chamou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, de "lixo careca", após o magistrado não autorizar uma visita do presidente argentino a Jair Bolsonaro na prisão domiciliar.
Em 4 de agosto, após novas declarações de Milei contra Lula, o chanceler Mauro Vieira reduziu o nível da representação diplomática brasileira na Argentina e manteve Bitelli em Brasília. A embaixada em Buenos Aires passou a ser comandada por Uziel como encarregado de negócios.
O governo argentino também não enviou representantes à celebração do Dia da Independência do Brasil no Teatro Colón, apesar dos convites. A presença de integrantes do governo poderia representar o "sinal" citado por Vieira para uma retomada da relação bilateral.