
Em meio à polêmica em torno de monumento, Rússia cobra desculpas do Japão: 'exterminou milhares'

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, cobrou um pedido de desculpas do Japão nesta quarta-feira (9), após o Consulado-Geral japonês em Khabarovsk solicitar a retirada de um monumento dedicado à vitória sobre o Japão militarista, em 1945.
Em entrevista coletiva, Zakharova confirmou que o consulado enviou uma nota diplomática à representação do ministério russo na cidade em 3 de setembro. O documento exige medidas sobre a instalação da estátua de bronze, questiona a utilização do emblema com a imagem do selo do crisântemo e solicita, inclusive, que as autoridades considerem a retirada do monumento.
Inaugurado em 4 de setembro, o monumento representa um soldado soviético pisando em um marco de fronteira japonês partido, com o símbolo do crisântemo. Tóquio classificou o uso da imagem como inaceitável por se tratar de um emblema do imperador japonês e de sua família.

Crimes do militarismo
"Não foi sob esses símbolos que os militaristas japoneses exterminaram a população civil do nosso país e da China? Naquela época, então, não pensavam nos sentimentos? Não. Se naquela época utilizavam essas flores e estava tudo bem, agora nós não estamos insultando as flores nem os crisântemos. Estamos dizendo que, com essas flores, esses crisântemos e esses símbolos, o militarismo japonês exterminou milhares e milhares de civis inocentes naquele período histórico", afirmou.
Zakharova lembrou que os crisântemos apareciam em medalhas relacionadas às guerras travadas pelo Japão, assim como em marcos de fronteira, navios e armas japonesas.
"Com essas armas com crisântemos, mataram russos, chineses, coreanos, filipinos e também norte-americanos", declarou.
A porta-voz também afirmou que o Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) retirou recentemente o sigilo de documentos sobre massacres de cidadãos soviéticos cometidos pela polícia japonesa na Manchúria em agosto de 1945.
Segundo Zakharova, um grupo do SMERSH, serviço soviético de contrainteligência militar, encontrou 43 corpos decapitados na cidade de Hailar, atualmente pertencente à região autônoma chinesa da Mongólia Interior. A inspeção determinou que todas as vítimas, com exceção de um mongol, eram russos e judeus.
"Qual é o problema com o Consulado-Geral do Japão? Não querem voltar, retirar a nota e pedir desculpas de joelhos? Parece-me que devem fazer isso por tudo o que seus antepassados fizeram. E eu, por minha parte, prometo lhes dar um crisântemo de presente", disse.
Soberania russa
A porta-voz também lembrou os massacres cometidos pelas forças japonesas no Extremo Oriente russo, na China e em outros países asiáticos.
"E não cabe ao Consulado-Geral do Japão em Khabarovsk abrir a boca sobre o crisântemo. Devem se arrepender eternamente", afirmou.
Zakharova declarou que as exigências de Tóquio sobre o monumento afetam a soberania da Rússia e constituem mais uma tentativa de enganar a comunidade internacional e reescrever a história do militarismo japonês.
"Não esqueceremos, vamos lembrar. Isso não pode ser esquecido", concluiu.

