'Dark Horse': tudo o que se sabe sobre o escândalo que envolve Flávio, Eduardo e Vorcaro

Filme sobre Jair Bolsonaro é alvo de duas frentes de investigação que apuram financiamento privado, possível uso de emendas parlamentares e movimentações de milhões de dólares.

O filme "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro, está no centro de duas investigações da Polícia Federal (PF) que apuram a origem suspeita de recursos usados na produção e possíveis desvios de dinheiro público.

Nesta sexta-feira (11), após a queda de sigilo de investigações determinada pelos ministros André Mendonça e Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), novos fatos vieram à tona.

As apurações, conduzidas em inquéritos sob relatoria dos ministros André Mendonça e Flávio Dino, chegaram a integrantes da família Bolsonaro e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Ponto a ponto

O papel de Flávio Bolsonaro

Mensagens encontradas no celular de Vorcaro mostram uma relação direta com Flávio. Em dezembro de 2024, os dois marcaram uma reunião para tratar do "filme do presidente". Em setembro de 2025, Flávio cobrou pagamentos e demonstrou preocupação com possíveis atrasos para o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh.

Em outubro, informou que as gravações estavam no terceiro dia e "no limite", pedindo que Vorcaro avisasse caso não pudesse realizar novo aporte. Pouco antes da prisão do banqueiro, em novembro, Flávio escreveu: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!"

O dinheiro e o fundo nos EUA

O Havengate foi criado em 2020 com a finalidade declarada de levantar recursos para um empreendimento imobiliário de aproximadamente US$ 21 milhões. Segundo informações incorporadas ao relatório da PF, porém, nenhuma atividade correspondente foi encontrada no endereço de registro do fundo.

O fundo permaneceu inativo por anos até receber, em fevereiro de 2025, seu primeiro aporte da Entre Investimentos, empresa de "Mineiro". Ao longo daquele ano, os repasses chegaram a US$ 24 milhões, segundo a investigação, e cessaram após a prisão de Vorcaro.

Emendas

A segunda frente da investigação apura suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares destinadas a organizações da sociedade civil. A PF cumpriu mandados contra Mário Frias e a empresária Karina Gama, ligada à Go Up Entertainment.

A investigação aponta movimentações consideradas atípicas durante o período das gravações e suspeita que recursos públicos tenham passado por empresas intermediárias antes de chegar à produtora.