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Campanha de Lula planeja adotar estratégia de Dilma contra Aécio para tirar votos de Flávio; entenda

Com a corrida eleitoral cada vez mais acirrada, o candidato do PT aposta em vídeos nas redes, usando medo de cortes em programas sociais para atrair o eleitorado no segundo turno.
Campanha de Lula planeja adotar estratégia de Dilma contra Aécio para tirar votos de Flávio; entendaAP / Andre Penner

Após a derrota no primeiro turno, a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou, nos últimos dias, uma ofensiva para associar o senador Flávio Bolsonaro (PL) a cortes em programas sociais e a uma agenda autoritária. 

A campanha de Lula pretende explorar o risco de Flávio cortar os programas populares e não incentivar aumento real do salário mínimo, como ocorreu no governo do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Com a corrida eleitoral cada vez mais acirrada, o medo do futuro parece se tornar o eixo principal em discursos do atual presidente antes do segundo turno.

A tática remete à estratégia usada pela campanha de Dilma Rousseff em 2014 contra Marina Silva e, depois, Aécio Neves, mirando agora o eleitorado que pode migrar para o outro campo.

"Cortam do sangue do povo"

Na quinta-feira (8), Lula publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que Flávio pretende cortar R$ 200 bilhões do Orçamento, apontando que programas como Pé-de-Meia, Farmácia Popular, Minha Casa, Minha Vida, e Gás do Povo seriam afetados. "Toda vez que alguém da elite fala que vai cortar, eles cortam do sangue do povo, e não dos ricos", declarou.

A ofensiva vem depois de a Folha de S. Paulo informar que a equipe econômica de Flávio discute um pacote de ajuste fiscal de 1,5% a 2% do PIB, equivalente a cerca de R$ 250 bilhões. As medidas em análise incluem a criação de um novo teto de gastos e a revisão de despesas obrigatórias, com a possível desvinculação de benefícios do INSS e do BPC do salário mínimo, além de mudanças na saúde e da educação. 

Apostando na eventual rejeição popular, em uma postagem nesta sexta-feira (9) o presidente comparou o plano com a controversa"motoserra" do presidente argentino Javier Milei. "O resultado prático é sempre o mesmo: contra o povo", destacou.

Ministros se juntam às críticas

A ofensiva ganhou reforço com declarações de ministros. O titular da Educação, Leonardo Barchini, alertou que um ajuste de 1,5% do PIB inviabilizaria o Pé-de-Meia e as bolsas da CAPES. "Acaba o discricionário das universidades. Vai sofrer investimento, construção de creches", afirmou o ministro, citado pelo O Globo na quarta-feira (7).

Já o ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou, em entrevista à CNN Brasil, a proposta como "ilusão barata", alertando que o corte comprometeria políticas sociais e serviços públicos.

Em respota às críticas intensificadas, Flávio chamou a campanha de Lula de "fake news" e negou que vá penalizar os mais pobres. "Eu não vou fazer economia em cima de quem precisa. Das pessoas mais carentes desse Brasil. Aposentado, fique tranquilo", declarou ele à imprensa na quinta-feira (8).

Parecido com ditadura militar?

Já o vice-presidente de Lula, Geraldo Alckmin, chegou a comparar a retórica de Flávio sobre mudar a Constituição à da ditadura militar.

Na terça-feira (6), Flávio afirmou que, em meio ao avanço da direita no Congresso, pretende mobilizar seus aliados no Legislativo e alterar a Constituição para, segundo ele, "redemocratizar" o Brasil. Na quinta-feira (8), ele explicou que a declaração se refere a propostas como uma reforma do Supremo Tribunal Federal (STF), a redução da maioridade penal, mudanças na reforma tributária e o fim da reeleição.

"A ditadura falava a mesma coisa quando mandou trocar a Constituição e impôs uma nova totalmente autoritária. Nós não precisamos disso", declarou Alckmin em um vídeo nas redes, comentando a fala de Bolsonaro.

A declaração controversa de Flávio também levou o jurista Miguel Reale Júnior, ex-ministro da Justiça do governo Fernando Henrique Cardoso e um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, ao campo de apoiadores de Lula.

"É fundamental que Lula seja eleito nosso presidente porque teremos a garantia da manutenção da democracia, do respeito ao Estado de Direito, da não instalação de um Estado policialesco e da salvaguarda da nossa soberania", disse ele na quinta-feira. 

História que se repete?

A tática de induzir medo parece reproduzir o manual de 2014, quando o marqueteiro João Santana comandou a campanha de Dilma Rousseff, contra Marina Silva no primeiro turno, associando-a à retirada de comida da mesa, e contra Aécio Neves no segundo, recorrendo às falas parecidas sobre cortes em programas sociais.

Ainda naquela época, a estratégia ficou chamada de "marketing do medo" pelos próprios candidatos.

O que diferencia a campanha de 12 anos atrás da atual é o uso da estratégia de medo nas redes. Para dar novo fôlego à ofensiva, os influenciadores digitais dinamizam a comunicação nas redes e aumentam presença capilar do partido, que, segundo analistas, está deixando um vácuo que já está sendo tomado pela direita.