A campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no sábado (10) denunciando suspeitas de interferência da Meta* no processo eleitoral brasileiro, após sucessivos problemas técnicos que teriam beneficiado o candidato Flávio Bolsonaro (PL).
O ministro Marco Aurélio Bellizze determinou prazo de 48 horas para a empresa esclarecer as falhas e comprovar isonomia no tratamento dos candidatos.
Segundo documento da Secretaria Nacional de Comunicação do PT, o perfil de Flávio Bolsonaro registrava em média 2,96 vezes mais engajamento que o de Lula, apesar de ter 17,2% menos seguidores. A Meta admitiu problemas técnicos nas métricas de vídeos do Instagram*, conforme nota divulgada pela revista Forum, mas não confirmou impacto na distribuição de conteúdo nem favorecimento a qualquer candidatura.
A campanha petista enumera seis episódios problemáticos desde dezembro de 2025, quando perfis de Lula e lideranças de esquerda sumiram das buscas do Instagram durante votação sobre redução de penas para condenados por tentativa de golpe, conhecida como PL da dosimetria. "À época, a empresa atribuiu o 'sumiço' das contas a um 'problema técnico'", aponta o PT.
Poucos dias antes da votação em primeiro turno, a conta de anúncios de Lula no Instagram foi desabilitada sem justificativa formal, impedindo o perfil presidencial de impulsionar conteúdos no feed da plataforma.
O TSE solicitou à Meta preservação de registros de moderação, detalhamento individualizado das ações aplicadas aos perfis desde 16 de agosto, esclarecimentos sobre anomalias nas visualizações e razões para desabilitação do perfil publicitário em 23 de setembro. A Justiça Eleitoral também requisitou informações sobre identificação de redes automatizadas pró-Bolsonaro.
Em nota divulgada pelo jornal O Globo, a Meta negou as acusações de interferência, classificando-as como "simplesmente falsas" e afirmando compromisso com isonomia.
A campanha de Lula apresentará denúncia também à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), de acordo com a nota do partido.
*Classificada na Rússia como uma organização extremista, cujas redes sociais são proibidas em seu território.