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Díaz-Canel se pronuncia sobre as novas intimidações de Trump contra Cuba

"O governo dos EUA deixa claro que não abre mão de suas ambições de dominação sobre Cuba", afirmou o mandatário.
Díaz-Canel se pronuncia sobre as novas intimidações de Trump contra CubaGettyimages.ru / Adam Gray / Stringer

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, destacou que seu país alcançou sua "verdadeira independência" em 1º de janeiro de 1959, com o triunfo da Revolução Cubana.

A declaração foi feita após seu homólogo americano, Donald Trump, ameaçar enviar um navio de guerra às costas da ilha com o objetivo de forçar "um acordo".

"O governo dos EUA deixa claro que não abre mão de suas ambições de dominação sobre Cuba. É bom lembrar que, desde 1º de janeiro de 1959, nós, cubanos, alcançamos nossa verdadeira independência e estamos decididos a defendê-la. Cuba não é uma ameaça, o bloqueio, sim", escreveu Díaz-Canel no X.

As declarações de Trump também foram rejeitadas pelo chanceler Bruno Rodríguez, que, além de repudiar "toda ambição" americana sobre o país caribenho, advertiu que em suas "costas há belas praias, mas também um terreno acidentado e inóspito para quem chega com fins hostis e ânsia de dominação".

Ameaça mais recente

Trump afirmou, em um ato de campanha realizado no estado da Flórida, que faria com que um dos navios de guerra que atualmente estão no Oriente Médio por causa da guerra contra o Irã parasse perto da costa cubana.

"Faremos uma pequena escala. Na verdade, o que faremos em relação a Cuba é passar por lá na volta do Irã. Esses lindos navios passarão em frente a Cuba. Faremos com que um deles pare a cerca de 50 jardas (cerca de 46 metros) da costa. Eles [o governo cubano] levantarão as mãos, e então enviaremos Marco Rubio para fechar o acordo", afirmou.

Mais do mesmo

Não é a primeira vez que o mandatário americano ameaça agredir militarmente a ilha. Em 4 de junho, ele declarou: "Vamos cuidar disso [de Cuba] assim que tivermos terminado [com o Irã]. Gosto de fazer uma coisa de cada vez". Em abril passado, prometeu exatamente o mesmo, sugerindo que o país caribenho seria um novo alvo de ações bélicas por parte de Washington.

Na ocasião, Havana interpretou essas declarações como uma tentativa de "criar confusão para continuar impedindo a entrada de combustíveis em território cubano", segundo destacou na ocasição o chanceler Rodríguez.

Apesar disso, as autoridades cubanas aperfeiçoaram nos últimos meses diversas estratégias de defesa territorial, que, nas palavras de Díaz-Canel, constituem uma tarefa de "enorme prioridade", diante de uma eventual agressão bélica.

Estrangulamento dos EUA contra Cuba

Em 29 de janeiro de 2026, Trump assinou uma ordem executiva declarando "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo a Casa Branca, Cuba representa para a segurança do país norte-americano e da região.

O documento acusa o governo cubano de se alinhar a "numerosos países hostis", de abrigar "grupos terroristas transnacionais" e de permitir o desdobramento na ilha de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.

A partir de então, os EUA intensificaram o bloqueio econômico e comercial imposto à ilha há mais de seis décadas, com a aplicação de numerosas medidas coercitivas.

Além disso, Washington anunciou a imposição de tarifas aos países que vendam petróleo à nação antilhana, a que se somam ameaças de retaliação contra aqueles que descumprirem a ordem executiva da Casa Branca.

Havana tem rejeitado sistematicamente essas acusações e advertiu que defenderá sua integridade territorial.