Notícias

Japão e EUA ensaiam ataques a navios chineses em meio à disputa por Taiwan

O objetivo das manobras era ensaiar ataques contra alvos chineses e reduzir a vulnerabilidade das forças aliadas a ataques possíveis de Pequim.
Japão e EUA ensaiam ataques a navios chineses em meio à disputa por TaiwanGettyimages.ru / Daniel Ceng

Tropas japonesas e americanas ensaiaram ataques antinavio e o posicionamento de sistemas móveis de mísseis na ilha de Kyushu, perto da costa chinesa, e em outras ilhas no sudoeste do Japão, com o objetivo de testar táticas para conter Pequim nas águas ao redor de Taiwan, relatou o jornal South China Morning Post.

Segundo o jornal, os exercícios militares Keen Sword 27, com duração de 11 dias, visam avaliar como as forças aliadas podem ameaçar navios chineses a partir de várias direções, ao mesmo tempo que protegem suas próprias forças de ataques vindos de Pequim.

Tóquio e Washington também relataram ter praticado reparação em pistas de pouso e manutenção de rotas de abastecimento marítimo para garantir a continuidade operacional em caso de ataques.

O governo japonês considera um novo aumento de impostos para empresas como uma possível forma de financiar o aumento dos gastos militares, que poderiam chegar a valores entre US$ 443 bilhões e US$ 506 bilhões.

O Japão tem feito progressos constantes em suas capacidades ofensivas. O país iniciou os testes de mísseis de cruzeiro Tomahawk de destróieres, desenvolve mísseis hipersônicos lançados de submarinos e da superfície, considera incorporar submarinos nucleares como parte da revisão de sua política de defesa e moderniza sua frota, além de participar de programas de caças de sexta geração.

Moscou e Pequim reagem 

China e Rússia comentaram sobre a crescente militarização do país. Pequim criticou o governo japonês por evitar uma reflexão sincera sobre as lições da Segunda Guerra Mundial e por desfocar sua responsabilidade histórica, e enfatizou que as ações de Tóquio "alarmaram ainda mais seus vizinhos asiáticos e a comunidade internacional sobre o que o Japão realmente está fazendo".

Moscou, por sua vez, instou Tóquio a abandonar as tentativas de "retocar as páginas desumanas de sua própria história", visto que foi "um dos principais agressores na Segunda Guerra Mundial".