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Nos EUA, Flávio Bolsonaro se declara 'verdadeiro presidente eleito' e fala em fraude nas eleições

Ao longo do documento, o candidato derrotado compara sua trajetória com a de Juan Guaidó e Ruy Barbosa, que tiveram que "lutar pelo próprio país longe dele."
Nos EUA, Flávio Bolsonaro se declara 'verdadeiro presidente eleito' e fala em fraude nas eleiçõesAP / Eraldo Peres

O senador e candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro divulgou, dos Estados Unidos, uma carta na qual acusa o processo eleitoral brasileiro de ter sido fraudado. No documento, ele se declara o "verdadeiro presidente eleito do Brasil".

O político inicia a carta com um agradecimento a líderes estrangeiros. "Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher", escreveu, classificando os EUA como "uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país". "O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão", prossegue.

Na sequência, o senador afirma, sem apresentar provas, que as eleições, realizadas no domingo (25), foram fraudadas. Ele associa a suposta trama à decisão do ministro Alexandre Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar o horário de votação em duas horas.

"Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno", afirmou, argumentando que a decisão de Zanin foi tomada "no apagar das luzes" e "por cima da competência do TSE".

Flávio também negou que esteja fugindo do Brasil, apesar de ter divulgado a carta a partir dos Estados Unidos. Na mensagem, o senador tenta justificar sua permanência no exterior ao comparar sua situação à de figuras que, segundo ele, enfrentaram perseguição política e precisaram atuar fora de seus países.

"Não sou o primeiro a ter que lutar pelo próprio país longe dele. Rui Barbosa foi para o exílio por enfrentar o arbítrio de Floriano Peixoto e de lá seguiu defendendo a lei e a liberdade. Charles de Gaulle liderou a França Livre a partir de Londres, condenado à morte pelo regime de Vichy, e voltou para libertar o seu país. (...) Todos eles foram tratados como criminosos pelos regimes que enfrentavam", comparou, citando ainda figuras como Juan Guaidó (político venezuelano que vive nos EUA) e José Martí (herói da independência cubana).

Ao final, Flávio promete aos apoiadores que continuará lutando pelo Brasil e afirma que não pretende desistir de seus objetivos políticos. O senador apresenta sua permanência no exterior como parte de uma suposta luta em defesa da liberdade e da legalidade no país.