
Milei compartilha posts sobre 'interferência estrangeira' após Janones se reunir com peronistas

O presidente argentino, Javier Milei, compartilhou em suas redes sociais publicações que acusam de "interferência estrangeira" a visita do deputado federal André Janones (Rede-MG) a Buenos Aires. A informação foi publicada pelo jornal Folha de S.Paulo.
Janones chegou à Argentina para, segundo ele, "tentar levar um pouco das técnicas" que garantiram a vitória de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no fim de outubro, entre elas o canal de WhatsApp* Exército do Lula.
Antes de dar entrevista à emissora C5N, ele se encontrou com o ex-ministro Sergio Massa, derrotado por Milei em 2023 e pré-candidato da oposição, e com a ex-presidente Cristina Kirchner, que cumpre prisão domiciliar.
Críticas e acusação sem provas
Entre os posts republicados por Milei, um dizia que o peronismo "está tão perdido que precisa pedir aos brasileiros que o ensinem a fazer uma campanha eleitoral". O influenciador Gordo Dan afirmou que a esquerda denuncia há 20 anos a "interferência estrangeira" e agora traz dirigentes brasileiros para ensinar a ganhar eleições.

A visita também reavivou a acusação, replicada por Milei sem provas, de que Lula financiou a campanha de Massa em 2023. A insinuação se baseia na presença de publicitários ligados ao PT na equipe do peronista, ao lado de estrategistas de outros países.
O chanceler Pablo Quirno disse que a visita era"mais cantada que Despacito". Santiago Caputo, braço direito de Milei, publicou uma indireta, sem citar Janones, sobre mensagens ruins que nenhuma ferramenta tecnológica salva.
Fuga de Flávio Bolsonaro
Caputo foi apontado por veículos argentinos como um dos atores centrais da fuga de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos a partir de Puerto Iguazú, na fronteira com Foz do Iguaçu (PR). Segundo a imprensa local, ele monitorou a operação desde 27 de outubro e foi parado em uma blitz no dia seguinte. Opositores exigem esclarecimentos e apresentaram denúncias contra integrantes do governo.
Questionado sobre o que Milei sabia, o porta-voz Adrián Ravier respondeu: "Não sei". Disse ainda que o assunto está encerrado, pois não houve pedido de captura internacional nem irregularidade do governo argentino.
O Brasil, que rebaixou as relações com a Argentina após ataques de Milei a autoridades brasileiras, afirma ter convocado a encarregada de negócios argentina, María Emilia Cortés, para dar explicações sobre o caso. A Casa Rosada nega a convocação.
*Pertencente à Meta, classificada na Rússia como uma organização extremista, cujas redes sociais são proibidas em seu território.
