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72 mulheres: clínica particular no PR é denunciada por sequestro, cárcere privado e tortura

As investigações apontam que 72 pacientes estavam internadas sem laudo médico ou consentimento e eram submetidas a castigos e trabalho forçado.
72 mulheres: clínica particular no PR é denunciada por sequestro, cárcere privado e torturaMPPR

Cinco pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) por crimes relacionados a tortura, cárcere privado e sequestro em uma clínica particular em Terra Roxa, município da região oeste do estado. As investigações dão conta de que as pacientes internadas na clínica seriam submetidas a trabalho forçado e castigos, além de serem impedidas de ter contato com a família, informou a TNOnline.

Foram denunciados por sequestro e cárcere privado o dono do estabelecimento, que está preso desde setembro, uma administradora, um coordenador terapêutico e um terapeuta. Um médico que trabalhava na clínica foi denunciado pelo crime de tortura. Suas identidades não foram reveladas.

Segundo as investigações, 72 mulheres estavam internadas na clínica entre pacientes com dependência química, transtornos mentais e deficiência. Elas eram internadas a pedido de familiares ou terceiros sem a necessidade de laudo médico ou consentimento, bastando apenas que assinassem um contrato especificando o tempo de permanência. As pacientes só poderiam receber "alta administrativa" se quitassem as mensalidades e teriam que pagar uma multa caso encerrassem o contrato antecipadamente.

As vítimas poderiam ter o período de internação estendido como punição e eram impedidas de sair do local. Quartos e corredores eram trancados durante a noite e elas tinham seus celulares retidos. Qualquer ligação telefônica era estritamente limitada e monitorada. O MP também denunciou relatos de administração forçada de medicamentos.

A clínica foi alvo da Operação Aurora, deflagrada pela Promotoria de Justiça do município em setembro. A promotora responsável, Gabriela Hanna Pereira, afirma que há relatos de que pacientes foram levadas à clínica por pessoas não identificadas sem qualquer laudo médico ou ordem judicial. O estabelecimento não comunicava o MP sobre as internações, o que é um procedimento obrigatório, além de não dispor nem de médico psiquiatra nem de diretor técnico médico.

O estabelecimento, contudo, não foi interditado na época porque, de acordo com a MPPR, não havia como transferir todas as internas de uma vez, o que foi feito de forma gradual. Não há informações sofre o estado de saúde atual das ex-pacientes da clínica nem de suas transferências.