A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, criticou os planos de vários países europeus de realizar, entre os dias 9 e 22 de novembro, os exercícios militares Koalicja 26.2 (Coalizão 26.2), destinados a preparar o possível envio de um contingente militar estrangeiro à Ucrânia após o fim do conflito.
Segundo a diplomata, essas iniciativas demonstram que o Ocidente ignora as preocupações legítimas de Moscou em relação à segurança e continua alimentando a escalada das tensões.
"É absolutamente evidente que o Ocidente continua sem querer levar em consideração as legítimas preocupações da Rússia em matéria de segurança e segue alimentando a espiral de escalada", declarou Zakharova à imprensa.
A porta-voz afirmou ainda que Londres e Paris pretendem manter a Ucrânia como uma plataforma de confronto contra a Rússia e tentar impor uma derrota militar a Moscou por meio do envio das chamadas "forças multinacionais".
"Reafirmamos, mais uma vez, que o envio de contingentes militares estrangeiros à Ucrânia é categoricamente inaceitável, seja sob o guarda-chuva da chamada 'coalizão dos voluntários', seja sob os auspícios de qualquer outra organização", ressaltou Zakharova.
Ela acrescentou que a presença dessas forças equivaleria, na prática, a "uma intervenção militar e à criação deliberada de ameaças adicionais à segurança russa".
"Em essência, trata-se de mais um passo rumo a um maior envolvimento dos países europeus membros da OTAN no conflito e a uma escalada ainda maior", afirmou.
A porta-voz advertiu que as Forças Armadas russas considerarão qualquer unidade militar enviada ao território ucraniano um alvo legítimo, "com todos os riscos e consequências que isso implica".
Zakharova também afirmou que a responsabilidade por uma eventual escalada recairá integralmente sobre aqueles que promovem novas "aventuras militares" contra a Rússia.
"Esses planos estão condenados ao fracasso. Todos os objetivos e tarefas estabelecidos pela liderança russa no âmbito da operação militar especial serão cumpridos", assegurou.
A diplomata também considerou simbólico que as manobras militares comecem às vésperas da retomada, em Abu Dhabi, das consultas para a resolução do conflito no formato Rússia-EUA-Ucrânia.
Na avaliação de Zakharova, isso demonstra mais uma vez que "os europeus não têm lugar à mesa de negociações".
"Legítimas preocupações da Rússia"
Moscou tem reiterado em diversas ocasiões que qualquer unidade militar estrangeira enviada à Ucrânia será considerada um alvo militar legítimo.
A Rússia também tem afirmado repetidamente que a expansão da OTAN em direção às suas fronteiras foi uma das causas do conflito.
Enquanto a União Europeia continua apresentando a Rússia como uma suposta "ameaça", os países europeus intensificam seus preparativos militares diante de um hipotético conflito com Moscou, que já reiterou diversas vezes não ter planos de atacar a Europa.
Diante dessas tensões, a Rússia afirma que, apesar de sua disposição para o diálogo, não faz sentido negociar com a Europa.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a posição europeia favorável à imposição de uma derrota à Rússia torna impossível qualquer diálogo com seus representantes.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia reafirma constantemente que a melhor garantia para a segurança da Ucrânia será uma garantia sólida para a segurança russa.
"Se compreendermos que o território ucraniano não será utilizado como plataforma para criar ameaças à segurança da Rússia, a segurança da Ucrânia estará garantida", afirmou anteriormente a pasta.
Quanto à resolução do conflito ucraniano, Moscou explicou que a única saída é eliminar suas causas fundamentais: o retorno da Ucrânia a um status de neutralidade, fora de blocos militares; a desmilitarização e a desnazificação do país; o respeito, por parte de Kiev, aos direitos e às liberdades linguísticas, culturais e religiosas dos russos, dos cidadãos de língua russa e dos representantes das minorias nacionais; além do reconhecimento das atuais realidades territoriais.
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