El Niño de 2026: mais intenso do que nunca? — Entrevista RT

O El Niño sempre existiu, mas o aquecimento global agrava os seus efeitos. É o que afirma Carlos Nobre, climatologista brasileiro e copresidente do Painel Científico para a Amazônia. No programa ‘Entrevista’, da RT, ele alerta, ainda, que se não reduzirmos as emissões e continuarmos com os atuais níveis de desmatamento, poderemos perder até 77% da Floresta Amazônica.

O climatologista brasileiro Carlos Nobre afirmou, em entrevista a RT, que o mundo está entrando em uma fase crítica da crise climática e que a humanidade corre o risco de ultrapassar limites que podem provocar consequências irreversíveis para o planeta. 

Ele explicou que o fenômeno El Niño é um evento climático natural, que ocorre há milhões de anos, mas ressaltou que seus efeitos estão sendo agravados pelo aquecimento global.

Segundo o climatologista, o aumento da temperatura dos oceanos intensifica a evaporação da água e torna os eventos extremos mais severos.

Para este ano, há uma probabilidade de 63% de ocorrência de um El Niño muito forte, o que pode provocar secas intensas na Amazônia e no Nordeste brasileiro, além de chuvas excessivas no Sul do Brasil, Uruguai, Paraguai e partes da Argentina. 

Ele lembrou que até mesmo o El Niño de 2023-2024, considerado de intensidade moderada, foi responsável por eventos extremos históricos, como a seca recorde na Amazônia e as enchentes no Rio Grande do Sul.

"Ponto de não retorno"

O pesquisador também chamou atenção para a situação da Amazônia, que, segundo ele, está próxima de um "ponto de não retorno".

Nobre explicou que a combinação entre desmatamento e aquecimento global pode levar à perda de grande parte da floresta tropical, caso medidas urgentes não sejam tomadas.

Para o climatologista, a solução passa pelo fim do desmatamento, pela restauração dos biomas e pela redução acelerada do uso de combustíveis fósseis.