
'É uma nova demanda por energia que não estava calculada uns anos atrás' - Entrevista RT
A decisão do Governo Federal e da Petrobras de ampliar as perfurações no campo de Urucu, no Amazonas, reacendeu o debate sobre os limites da exploração de petróleo na Amazônia.
Em entrevista a RT, a advogada especialista em direito ambiental Priscila Santos Artigas afirmou que o conflito entre produção de energia e preservação ambiental não tem solução simples.
Segundo ela, a transição para fontes limpas é um compromisso global, mas cada país enfrenta desafios específicos.
A especialista destacou que a principal contribuição brasileira para as emissões de gases de efeito estufa está ligada ao desmatamento, e não ao uso de combustíveis fósseis, já que o país possui uma matriz energética considerada mais limpa que a de outras nações.
Sobre Urucu, Artigas afirmou que não se trata de uma nova fronteira de exploração, mas da ampliação de uma área que já produz petróleo e gás desde a década de 1980.
Segundo ela, o campo conta com infraestrutura existente, como um gasoduto que liga a região a Manaus, e representa uma fonte de arrecadação para municípios locais.

Energia e preservação
Apesar disso, a advogada ressaltou que qualquer atividade econômica na Amazônia exige cuidados devido à biodiversidade e à presença de comunidades indígenas e tradicionais.
Para ela, o licenciamento ambiental deve garantir a redução de impactos e a compensação por danos inevitáveis.
Artigas também afirmou que a região Norte ainda há dificuldades de acesso à energia, dependendo em alguns locais de geradores movidos a combustíveis fósseis.
Segundo ela, a discussão precisa considerar não apenas a preservação ambiental, mas também as necessidades sociais e econômicas da população.
Para a especialista, a expansão do petróleo na Amazônia pode prejudicar a imagem climática do Brasil no exterior, mas o desafio é encontrar um equilíbrio entre desenvolvimento e proteção da floresta.




