O que se sabe sobre o fogo cruzado entre Irã e Estados Unidos no Oriente Médio?

A frágil trégua anunciada no início de abril entre os Estados Unidos e o Irã voltou a se romper na noite de sexta-feira (5) para sábado, após uma escalada de ataques cruzados envolvendo alvos militares em diferentes países do Oriente Médio.
Segundo o Comando Central dos EUA (CENTCOM), forças norte-americanas realizaram novos ataques contra instalações iranianas sob a justificativa de "prevenir" possíveis agressões, após a interceptação de drones lançados na região do Estreito de Ormuz.
O órgão afirmou que atingiu estações de radar de vigilância costeira em Goruk e na ilha de Qeshm. De acordo com Washington, quatro drones de ataque teriam sido abatidos enquanto se dirigiam ao Estreito de Ormuz, considerado uma área estratégica para o tráfego global de petróleo.
Horas depois, relatos de moradores e fontes locais indicaram explosões no porto iraniano de Sirik, na província de Hormozgán, região sensível por sua proximidade com rotas marítimas estratégicas.
Ao mesmo tempo, o Exército do Kuwait informou que suas defesas aéreas foram ativadas após ataques com mísseis e drones classificados como hostis. O governo do Bahrein também declarou estado de alerta após sirenes de ataque aéreo serem acionadas em seu território.
A agência iraniana Tasnim, citando fontes locais, relatou ainda a suspensão temporária de voos em aeroportos de Kuwait e Bahrein devido à instabilidade na região.
Versão do Irã
Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã (CGRI) afirmou ter realizado ataques com mísseis contra bases norte-americanas na região, alegando retaliação aos bombardeios atribuídos aos EUA contra instalações em Sirik e na ilha de Qeshm.
Segundo o comunicado divulgado por meios oficiais iranianos, duas bases militares dos EUA, a base aérea de Al-Salem, no Kuwait, e instalações ligadas à Quinta Frota em Bahrein, teriam sido alvo de mísseis balísticos.
O CGRI também relatou que embarcações no Estreito de Ormuz teriam sido interceptadas após supostas violações de alerta, e advertiu Washington de que qualquer nova ação hostil poderá levar ao fechamento da rota marítima para exportações de petróleo e gás.
Versão dos Estados Unidos
O CENTCOM, por sua vez, confirmou a interceptação de mísseis e drones iranianos na região. Segundo o comando militar, o Irã teria lançado sete mísseis balísticos em direção ao Kuwait e ao Bahrein, dos quais seis foram interceptados.
#BREAKING: U.S. strikes Iranian coastal surveillance radar sites in Goruk and on Qeshm Island. pic.twitter.com/XV3SZ9BaCs
— Insider Wire (@InsiderWire) June 6, 2026
Washington também rejeitou as alegações iranianas de danos à infraestrutura militar norte-americana, incluindo a Quinta Frota estacionada no Golfo. Até o momento, os EUA afirmam não haver registros de baixas entre suas forças.
Frágil trégua no Oriente Médio
Apesar da frágil trégua declarada no início de abril entre Washington e Teerã, a situação recente na região tem sido marcada por ataques e ameaças mútuas.
Segundo a posição iraniana, a trégua inclui o Líbano, mas as Forças de Defesa de Israel continuam atacando o sul do país árabe. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou na segunda-feira (1º) o início de novos bombardeios contra alvos do movimento xiita libanês Hezbollah no bairro de Dahieh, em Beirute.
No dia anterior, um ataque aéreo israelense contra o distrito de Nabatieh, no sul do Líbano, matou pelo menos oito pessoas, entre elas três mulheres.
