
Terra em transe: antecipação de um encontro crucial para salvar a frágil paz no Oriente Médio

O cenário geopolítico no Oriente Médio permanece envolto em incertezas, mesmo após a assinatura digital de um memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã na quinta-feira (18).
Após o cancelamento das negociações em solo suíço na sexta-feira (19) e o fechamento do estreito de Ormuz no sábado (20), a reunião entre as delegações americana e iraniana foi reagendada para este domingo (21), refletindo a complexidade das tratativas em curso.

Entre as exigências impostas por Teerã para encerrar as hostilidades, destacava-se a interrupção dos ataques israelenses ao Líbano e a retirada das tropas das áreas ocupadas no sul libanês.
Contudo, Israel prosseguiu com suas operações militares, provocando novas mortes de libaneses nos últimos dias e fragilizando os compromissos estabelecidos entre iranianos e americanos.
Fontes consultadas pelo jornal americano The New York Times revelam que os serviços de inteligência dos EUA consideram improvável que Israel suspenda sua ofensiva no Líbano, mesmo diante do recente acordo de cessar-fogo.

Reportagens apontam ainda o desconforto do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e de autoridades de segurança israelenses com o memorando, sobretudo em meio às relações tensionadas com o presidente Donald Trump.
Bloqueio estratégico no Estreito de Ormuz
A reinstauração do bloqueio iraniano ao tráfego por Ormuz se deu sob alegações de violação "flagrante" pelo governo americano do primeiro artigo do memorando e em resposta às "contínuas e implacáveis violações do cessar-fogo por Israel" no sul libanês.
Paralelamente, o Comando Central americano informou aumento no tráfego comercial na hidrovia, enquanto forças dos EUA seguem operando na região para assegurar a liberdade de navegação.
Mohammad Mokhber, assessor do Líder Supremo do Irã, advertiu que o fluxo energético do Oriente Médio permanecerá bloqueado até a implementação efetiva dos acordos com os Estados Unidos.
"Os americanos compreendem melhor a linguagem econômica e da análise custo-benefício. Enquanto o acordo permanecer apenas no papel, o fluxo energético também ficará paralisado", declarou.
Em contrapartida, Trump afirmou em sua plataforma Truth Social que "não haverá pedágios" no estreito por 60 dias, durante a vigência do cessar-fogo.

Segundo ele, tampouco haverá tarifas após esse período, "a menos que sejam impostas pelos Estados Unidos e em seu nome", caso "o acordo não se concretize". Nessas circunstâncias, tais cobranças representariam "serviços prestados" como "anjo da guarda" aos países da região.
Negociações multilaterais na Suíça
Em meio a tais incertezas, a cúpula EUA-Irã na Suíça foi postergada para este domingo (21). O vice-presidente J.D. Vance revelou, antes de embarcar para o país europeu, que espera iniciar negociações com "iranianos, paquistaneses e cataris". Ele observou que "os iranianos recém-chegaram" e que haverá "alguns dias" de diálogo.

Questionado sobre os combates no Líbano, Vance afirmou que o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, gerencia ativamente a situação, com o objetivo de garantir a segurança tanto de Israel quanto do Líbano, tornando toda a região "segura".
Vance também anunciou no sábado (20) que os enviados presidenciais Steve Witkoff e Jared Kushner chegaram à Suíça para participar das negociações com missão de "alta prioridade" designada por Trump: reabrir o Estreito de Ormuz.
O presidente informou que os EUA transportaram 16 milhões de barris de petróleo pelo estreito na sexta-feira (19), um "recorde" que "remonta a antes do início do conflito".
Ele instruiu ainda que a delegação garanta a segurança do estoque de urânio enriquecido do Irã, tornando "virtualmente impossível para os iranianos reconstruir seu programa nuclear, mesmo a longo prazo".


