A Rússia defendeu nesta terça-feira (14) que os minerais críticos e terras raras representam uma "oportunidade histórica" para os países do Sul Global promoverem a transformação de suas economias. Contudo, alertou para o risco de uma nova forma de dependência econômica caso o processamento dessas matérias-primas permaneça concentrado nos países desenvolvidos.
A posição foi apresentada pelo representante permanente adjunto da Rússia na ONU, Dmitry Chumakov, durante a Reunião de Alto Nível das Nações Unidas sobre Minerais Críticos para a Transição Energética.
Segundo ele, esses recursos e as tecnologias voltadas à sua extração e processamento são fundamentais para o desenvolvimento sustentável, o fortalecimento da soberania tecnológica e a produção de bens de alta tecnologia.
Chumakov afirmou que as nações em desenvolvimento detentoras de reservas minerais terão condições de diversificar suas economias e promover mudanças estruturais.
Questão neocolonialista
No entanto, advertiu para o risco de uma "escravização neocolonial", em que as etapas de processamento e agregação de valor permanecem concentradas em um pequeno grupo de países desenvolvidos do Ocidente. Nesse cenário, os exportadores de matérias-primas continuam à margem das cadeias globais de produção e recebem uma parcela reduzida dos ganhos.
O diplomata citou dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) para ilustrar a disparidade. Segundo o relatório mais recente do órgão, o cobalto refinado é vendido por um preço 3,2 vezes superior ao do minério bruto, cenário semelhante ao observado para lítio, níquel e grafite.
Para Moscou, a ONU deve ampliar o apoio aos países em desenvolvimento por meio da transferência de tecnologias, capacitação técnica e financiamento de infraestrutura de processamento, permitindo que essas etapas ocorram dentro de seus territórios.