Lula diz a Trump que Brasil quer transformar terras raras no país antes de exportar

Presidente afirmou que o Brasil aceita trabalhar com os Estados Unidos na exploração dos recursos, mas quer manter no país etapas de transformação e produção.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que apresentou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a disposição do Brasil para trabalhar com Washington na exploração de terras raras, mas condicionou essa possibilidade à transformação dos recursos dentro do país.

Lula comentou o tema em entrevista à TV Record neste domingo (23), ao relatar o conteúdo do telefonema que manteve com Trump na sexta-feira (21).

Segundo o presidente, o Brasil está aberto à cooperação com os Estados Unidos, mas pretende evitar um modelo baseado apenas na venda de matéria-prima.

"Disse pro Trump que nós estamos dispostos a trabalhar com ele na questão da exploração de minas críticas e terras raras", pontuou. 

Na sequência, Lula afirmou que o Brasil não pretende limitar sua participação à exportação dos recursos extraídos.

"Só que desta vez a gente não vai ser exportador de matéria-prima". 

Produção no Brasil

Ao explicar a proposta apresentada a Trump, Lula citou a fabricação de produtos no território brasileiro a partir dos recursos minerais.

"Nós queremos transformar aqui dentro para produzir celular, para produzir bateria elétrica, para produzir chips", explicou. 

O presidente voltou a defender que o país participe das etapas de transformação antes da comercialização dos recursos. "Nós não queremos ser exportador de matéria".

As terras raras foram apresentadas por Lula como uma das áreas possíveis de cooperação com os Estados Unidos. O presidente também afirmou ter tratado com Trump da ampliação das relações comerciais entre os dois países.

"E eu disse para ele que além disso, a gente quer ter um comércio muito, muito sério com os Estados Unidos".

Cooperação em outras áreas

No mesmo relato, Lula afirmou que o Brasil também está disposto a trabalhar com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. Segundo ele, a posição foi apresentada por escrito ao presidente norte-americano durante as conversas entre os dois governos.

"Aliás, eu entreguei um documento por escrito pra ele", explicou. 

Lula também afirmou que a cooperação não significaria aceitar interferência de outros países em assuntos brasileiros.

"E aí nós não podemos aceitar intromissão de um país, quem quer que seja, na conta do Brasil", afirmou.