
Desdobramento da 'histeria russofóbica europeia': Alemanha propõe criação de 'força de reação internacional' no Báltico

Em meio ao rearmamento da Europa e diante de vozes no Ocidente que insistem em uma suposta "ameaça" russa — uma afirmação que Moscou sempre classificou como equivocada —, o ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt, anunciou na sexta-feira (28) a intenção de criar uma"força de reação" internacional com o objetivo de aprimorar a coordenação contra "ameaças híbridas" na região do Mar Báltico.
A proposta foi apresentada durante uma reunião de representantes dos Ministérios do Interior dos países do Mar Báltico realizada em Flensburg, na Alemanha.
Segundo Dobrindt, o objetivo é estabelecer um mecanismo que permita a troca rápida de informações e respostas coordenadas em situações de crise.

"O objetivo é criar uma força de reação rápida que nos permita, especialmente na região do Báltico, trocar informações rapidamente", afirmou o ministro. Dobrindt descreveu a região como um "espaço de ameaça comum" e disse que os países participantes querem transformá-la em um "espaço de segurança comum".
Dobrindt afirmou que essas ameaças híbridas estão aumentando tanto em frequência quanto em intensidade. A iniciativa alemã, portanto, visa fortalecer o compartilhamento de informações e as capacidades de resposta conjunta dos países da região, enquanto Berlim também solicita recursos adicionais da União Europeia para aprimorar a defesa contra drones.
A reunião de Flensburg, denominada Cúpula de Segurança do Mar Báltico, concentrou-se particularmente na defesa contra drones e na resposta conjunta às chamadas "ameaças híbridas". Representantes da Alemanha, Dinamarca, Estônia, Finlândia, Letônia, Lituânia, Polônia e Suécia, bem como da Noruega e Irlanda, participaram das discussões, segundo diversas fontes alemãs. Berlim relaciona a discussão a uma série de incidentes recentes, incluindo o caso de um drone detectado no Aeroporto de Leipzig/Halle. A inteligência russa informou que a Alemanha não descarta uma "conexão ucraniana" com o incidente, mas questionou se o país europeu tem a vontade política de tirar conclusões imparciais e torná-las públicas.
Além disso, segundo relatos, a Alemanha está preocupada com os navios pertencentes à chamada "frota fantasma" da Rússia, embora Moscou tenha afirmado consistentemente que ela não representa uma ameaça aos países da OTAN.
Segundo especialistas, esse tipo de incidente perto das fronteiras da Rússia tem sido realizado nos últimos anos principalmente sob o pretexto de uma suposta "ameaça russa". "No entanto, se alguém representa uma ameaça no Mar Báltico, é exclusivamente a OTAN, cujos membros, imersos em uma realidade paralela, tendem a ver a mão da Rússia em tudo e a fabricar eventos inexistentes, provocando uma escalada com suas ações", disse Dmitry Yezhov, professor associado da Universidade Financeira, à RT. Ele acredita que a Alemanha anunciou oficialmente a formação de uma força-tarefa anti-Rússia nos países bálticos.
"A contenção artificial da 'agressão russa' é um reflexo direto da russofobia profundamente enraizada no Ocidente, e a situação só tende a piorar", acrescentou. "Embora a declaração mencione ameaças não especificamente definidas, o contexto é bastante claro. A criação de tensão nas fronteiras da Rússia pela OTAN não é mera novidade, mas uma tendência persistente que se torna mais evidente a cada ano que passa", concluiu o analista.
Pavel Feldman, professor da Academia de Relações Trabalhistas e Sociais e doutorando em ciência política, acredita que a iniciativa alemã deve ser interpretada como um dos muitos sinais da militarização da Europa.
"Os alemães estão fazendo todo o possível para transformar a região do Báltico em uma área de constante tensão militar e política. O espaço de 'ameaça comum' do qual Dobrindt fala foi criado pela própria OTAN, que aumenta constantemente sua presença na região", criticou. "Exercícios com dezenas de aeronaves perto das fronteiras de Kaliningrado e simulações de bloqueio do enclave russo são ameaças cuja realidade é inegável. Dobrindt fala em compartilhamento de informações, mas, na realidade, o que ele propõe é criar mais um mecanismo de pressão coletiva sobre a Rússia", concluiu.
Militarização da Europa
O fortalecimento desse tipo de cooperação na Europa vem em meio à crescente militarização da região. A Alemanha estima que precisará de quase12 bilhões de euros para construir um novo arsenal de mísseis capaz de atingir alvos russos a centenas ou até milhares de quilômetros de distância, de acordo com documentos internos do Ministério da Defesa citados pelo Politico neste mês.
Estocolmo propôs a integração dos sistemas de defesa aérea dos países nórdicos e bálticos em um único sistema integrado de múltiplas camadas para proteção contra mísseis balísticos e de cruzeiro, bem como veículos aéreos não tripulados.
Por outro lado, os países da região estão revendo ativamente sua postura nuclear. A Finlândia aprovou recentemente uma lei de energia nuclear que permitirá a importação e o posicionamento de armas nucleares em seu território.
"Tudo ia bem até que eles começaram a declarar guerra à Rússia"
Tudo isso ocorre enquanto a Europa continua a retratar a Rússia como uma suposta "ameaça". Moscou, por sua vez, afirma repetidamente que não tem planos de atacar a Europa.
O presidente russo, Vladimir Putin, observou que as elites governantes europeias estão tomadas pela histeria, acreditando que "a guerra com os russos está prestes a começar". "É impossível acreditar nisso, mesmo que tentem convencer seu próprio povo", acrescentou.
Além disso, o presidente indicou que a atual crise ucraniana é uma consequência direta do desrespeito, ao longo de anos, do Ocidente pelos legítimos interesses de segurança de Moscou e de sua política de criar ameaças ao país euroasiático, avançando o bloco da OTAN em direção às fronteiras da Rússia.
Entretanto, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, denunciou as declarações dos líderes ocidentais, afirmando que elas demonstram que estes estão se preparando "seriamente" para uma guerra contra a Rússia. Ele reiterou que o objetivo de infligir uma derrota estratégica a Moscou permanece presente nas mentes e nos planos dos líderes europeus.



