
Canadá na União Europeia? País é convidado a integrar bloco como 'Estado parceiro'

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs nesta quarta-feira (16) que o Canadá se torne o primeiro "membro associado" da história da União Europeia (UE), em um gesto inédito de aproximação entre os dois lados do Atlântico. O anúncio foi feito durante o tradicional discurso sobre o Estado da União, no Parlamento Europeu, com a presença do premiê canadense, Mark Carney, convidado especialmente para o evento.
Não há, atualmente, previsão desse status nos tratados do bloco europeu — o que significa que a proposta ainda precisará de desenho institucional para se concretizar.
Von der Leyen classificou as parcerias internacionais como "uma escolha estratégica" diante da fragmentação do sistema internacional baseado em regras, e afirmou que Europa e Canadá "veem o mundo com os mesmos olhos" em temas como inteligência artificial, mudança climática e geopolítica do Ártico.

Tarifas de Trump pressionam o Canadá
A movimentação ocorre em meio a uma crise comercial entre Canadá e Estados Unidos. O governo de Donald Trump impôs tarifas de até 50% sobre produtos canadenses, medida respondida por Ottawa com tarifas retaliatórias.
Segundo agências internacionais, a repetida sugestão de Trump de transformar o Canadá no 51º Estado americano tem empurrado o país a buscar laços econômicos e de segurança mais próximos da Europa.
Novo conselho de segurança e resposta à China
No mesmo discurso, Von der Leyen anunciou ainda a criação de um Conselho Europeu de Segurança, para o qual Canadá, Ucrânia, Noruega e Reino Unido também devem ser convidados. Ela defendeu dobrar a cota de eletricidade renovável da UE até 2040 e classificou como "insustentável" o déficit comercial da Europa com a China.
Von der Leyen também confirmou que a Comissão vai propor o "EU Kids Act", regulamento que proíbe redes sociais para menores de 13 anos e cria contas restritas para adolescentes de 13 a 15 anos.
A presidente abordou ainda os riscos da inteligência artificial, mencionando o episódio em que agentes de IA acessaram sistemas da Hugging Face sem autorização prévia da OpenAI, em julho. Nesse cenário, defendeu um controle maior sobre modelos com autoaperfeiçoamento recursivo, em parceria com países como Reino Unido e Canadá.
