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VÍDEO: Manifestantes denunciam interferência da Meta contra Lula nas eleições

Ato em frente à sede da empresa, na zona oeste de São Paulo, reuniu movimentos sociais que criticam a plataforma por restringir conteúdos e favorecer Flávio Bolsonaro (PL); TSE impôs medidas para impedir tratamento privilegiado a candidaturas.
VÍDEO: Manifestantes denunciam interferência da Meta contra Lula nas eleiçõesRT

Manifestantes realizaram, na segunda-feira (19), um protesto em frente à sede da Meta*, na avenida Brigadeiro Faria Lima, região nobre de São Paulo, contra interferência da empresa nas eleições brasileiras.

O ato reuniu movimentos sociais e representantes da sociedade civil organizada, que criticam a dona do Instagram**, Facebook** e WhatsApp** por restringir conteúdos e reduzir o alcance de publicações ligadas à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

As denúncias envolvem diferenças no alcance de publicações, dificuldades para impulsionar anúncios e remoções de conteúdos e perfis nas redes sociais em benefício do opositor de Lula, Flávio Bolsonaro (PL). A Meta* nega interferência política e atribui os episódios a problemas técnicos.

Judicialização

O caso chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que manteve, no dia 16 de outubro, uma decisão que proíbe a Meta* de interferir na distribuição de conteúdo político-eleitoral até o fim do segundo turno. O descumprimento pode resultar em multa diária de R$ 500 mil.

No mesmo dia da manifestação, o TSE também determinou que a Meta e a rede social X impeçam o impulsionamento pago e o tratamento privilegiado às contas do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e do influenciador Pablo Marçal no âmbito de outra ação eleitoral.

Em razão da interferência, a campanha de Lula anunciou o pedido de caçassão da chapa de Flávio nas eleições.

Durante o protesto, manifestantes defenderam a regulamentação das grandes empresas de tecnologia e a soberania digital do Brasil.

Soberania algorítmica

Questionado pela jornalista Milena Portella, correspondente da RT no Brasil, o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, Thiago Tanji, afirmou que o protesto denuncia a manipulação da Meta* nas eleições brasileiras.

"É algo documentado, exaustivamente documentado", disse, ao defender que as ações da empresa provocaram um desequilíbrio entre as candidaturas e prejudicaram objetivamente a campanha de Lula.

Para o dirigente sindical, o episódio reforça a necessidade de regulamentar as grandes empresas de tecnologia e garantir autonomia ao país. "A gente tem que discutir aqui a nossa soberania algorítmica", afirmou.

Ao ser questionado sobre os riscos da interferência externa nas eleições, Tanji declarou que o Brasil precisa desenvolver tecnologias próprias. "Se a gente não conseguir de fato desenvolver com autonomia e com soberania as nossas tecnologias, a gente corre o risco de ficar à mercê de grandes empresas americanas", disse.

Censura e interferência

Camila Moraes, secretária-geral da União Nacional dos Estudantes (UNE) e integrante do Levante Popular da Juventude, afirmou que o ato busca denunciar o que considera uma tentativa de censura e interferência da Meta* nas eleições.

"Hoje a gente faz um protesto pacífico na frente da sede da Meta no Brasil para denunciar a interferência que essa empresa norte-americana tem construído nas eleições brasileiras", declarou.

Ela prosseguiu, ao dizer que "a gente não vai aceitar nenhuma tentativa de interferência, nenhuma tentativa de quem nem fala a nossa língua tentar decidir qual é o destino do nosso país", afirmou.

Questionada sobre o que estaria em jogo no processo eleitoral, Camila relacionou as denúncias à soberania nacional e ao controle dos recursos brasileiros.

"O que está em jogo é a nossa capacidade de construir um país soberano", disse. Ela também defendeu a soberania digital e de dados, afirmando que o futuro da democracia brasileira depende da capacidade de o país tomar suas próprias decisões.

Relações promíscuas

Raquel, manifestante presente no ato, reforçou que o protesto denuncia diferenças no alcance de publicações e a derrubada de conteúdos e mobilizações nas redes sociais.

"A gente está aqui hoje para protestar contra as ações da Meta* que têm interferido no debate público sobre eleições esse ano", declarou.

Ao ser questionada por Milena sobre os riscos para a democracia, Raquel afirmou que uma empresa privada não deveria determinar os rumos políticos do país.

Uma outra manifestante argumentou que a redução do engajamento de publicações de Lula e a derrubada de perfis nas redes sociais estão entre suas principais preocupações durante a campanha eleitoral.

"O que mais me preocupa dentro dessa eleição é a interferência dos Estados Unidos dentro da nossa eleição", disse.

*Classificada na Rússia como uma organização extremista, cujas redes sociais são proibidas em seu território.

**Pertence à Meta, classificada na Rússia como uma organização extremista, cujas redes sociais são proibidas em seu território.